sexta-feira, 30 de agosto de 2013

To fuck or not to fuck.

Há alguns anos, tenho observado uma significativa alteração no padrão social imposto àqueles que, por anedota da vida ou por mero exercício do livre-arbítrio, optaram por levar uma "vida de solteiro" (fase da poligamia sexual e afetiva). A solteirice contemporânea é um quadro que desperta certa curiosidade em minha pessoa e, portanto, tentarei tecer algumas considerações a respeito, no desiderato de analisar alguns dos paranauês relativos a esta complexa, porém deliciosa temática. Nessa senda, insta salientar a visualização de uma verdadeira guerra conceitual entre o "superado" moralismo tradicionalista do passado e discursos fazendo verdadeira ode à plena manifestação da liberdade sexual, objeto de árduas batalhas no passado e sem a qual jamais teríamos os privilégios e a relativa autonomia da qual gozamos nos dias atuais (perdoem-me o trocadilho, hehe). No entanto, o que já representou intenso engajamento político virou, em grande parte das vezes, mera banalização do corpo e do ato sexual em si. Os excessos traduzindo-se em verdadeira libertinagem sexual, algo que um filósofo russo contemporâneo fez menção em uma entrevista à Folha, no ano passado: a tal "etiqueta pós-moderna permissiva e pragmática em relação ao sexo". Hoje em dia transar é algo tão banal, previsível, presumido, recomendado e vendido pela mídia, que toda aquela lenga-lenga romantiquinha da conquista foi perdendo força, paulatinamente. Trata-se, pois, da revolucionária desmitificação do sexo enquanto tabu. Como resultado desse pragmatismo contemporâneo em relação à temática em comento, emergem desesperados movimentos tentando re-implantar a caretice machista de outrora e, sob outra ótica, como resposta, discursos neo-feministas reafirmando o conceito de liberdade plena do corpo; a defender, basicamente, o divino direito ao gozo, amém. Trata-se do grito da matéria, da imperativa necessidade de dar a devida atenção às necessidades do corpo, que nos são inerentes, desvinculando-se da famosa culpa cristã, fortemente arraigada no (in)consciente coletivo desde a Idade das Trevas. Assim sendo, nascem diversos questionamentos, tais como: Por que não dar voz aos anseios da pele? A reprovação social no tange à poligamia sexual, desenfreada ou não, merece respaldo? A resposta pode parecer óbvia, mas não é tão simplista e imediata quanto aparenta. Todavia, defendo no presente texto a LIBERDADE PLENA À ESCOLHA. Há uma rivalidade brutal entre as duas vertentes ideológicas, em que cada uma ridiculariza a outra com escopo de impor-se e vencer, por fim, o debate. Pode parecer uma colocação polêmica e até mesmo retrógrada, mas defendo aqui o debate, não a vitória; o RESPEITO, e não a hostilidade. O livre-arbítrio deve guiar as escolhas de cada um e resta a nós praticar o difícil exercício de procurar não julgar. A felicidade é o axioma máximo da vida e devemos procurá-la das infinitas maneiras que nos forem particulares e plausíveis. Vejo moderninho zuando religioso celibatário; crente desmerecendo os sexualmente ativos, e por aí vai, numa rixa sem fim. Em suma, minha mensagem é: escolha o que te faz feliz, assuma as consequências de seus atos com responsabilidade e procure se relacionar com quem pactue da sua crença, pois viver em pé de guerra é a maior das penitências. Mais paz de espírito e menos guerra psicológica, por favor. Entristece-me, e muito, quem se deixa guiar por pensamentos mastigados e depois vive amargurado com a repercussão da escolha. Aquele que quer bancar o fodalhão modernex e come geral apenas pra se reafirmar e lograr verdadeiro êxito social, sustentando o desapego, mas no íntimo é a própria Juju carente (jogue no Youtube); ou, noutro giro, aquele que carrega uma imensurável culpa por nutrir em si desejos de ordem sexual e sequer pratica sexo ou a boa e velha masturbação. O lance, meus caros, é desprender-se de terceiros e imergir-se nos íntimos anseios da alma, visando atender àquilo que lhe faz bem, que não representa um pesado fardo, que, no final das contas, você carregará sozinho. As máscaras são desgastantes e acabam com toda a graça, haja vista o fato de não representarem nossa real faceta. Quando a máscara cai, A CASA CAI JUNTO, parceiro. Poupe-se desse desmoronamento e viva de acordo com suas regras e crenças, sem rivalizar gratuitamente sem embasamento algum.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A hostilidade do universo feminino

A hostilidade própria do universo feminino é um complexo fenômeno que desperta a minha curiosidade há bastante tempo, haja vista a forma intensa com que observo nas relações entre pessoas e, por conseguinte, pelo forte incômodo que me gera dada tamanha proporção. Refiro-me, pois, à guerra presumida que as mulheres travam entre si, num círculo vicioso de competição, sabotagem, falsidade e desdém gratuito, que denigre (e muito) a todas nós como gênero, dando ensejo à criação de infinitos estereótipos femininos que DEVEM desaparecer tão logo quanto possível. Logo no início da minha puberdade, fase em que as garotas dão início à predatória competição que as acompanhará até o resto de seus dias, aprendi da mais dolorosa forma como o mundo das mulheres pode beirar ao insuportável em certas ocasiões. Destarte, correndo o risco de parecer fula, sustentarei um perigoso raciocínio que possui a finalidade precípua de tentar compreender o motivo pelo qual nós, mulheres, construímos essas barreiras entre nós, de maneira praticamente automática e, por que não, inconsciente? Ora, tornamo-nos inimigas de todas aquelas que representem, de alguma forma, uma ameaça à “nossa zona de conforto social”. Algo tão primitivo e instintivo, que me induz à embarcar na noção do Darwinismo, obviamente adaptado à situação concreta em comento (realizo, portanto, uma analogia entre a teoria evolucionista e o mata-mata-social entre a mulherada). Com efeito, seriam as mulheres mais discretamente predatórias, sagazes e sutis, as mais aptas a obter sucesso nas suas relações? A raíz da rivalidade, portanto, seria uma intimidação, um temor pela possível perda do status? Aquela interessante moça mais nova, recém integrada ao coeso círculo de amigos incomoda, desperta um imediato desprezo, que você jamais dirá tratar-se de recalque...Você reconhece seu próprio valor, orgulha-se de ser quem é; porém, por que cargas d’água sua paz de espírito é abalada com a chegada da pirralha metida à amiguinha da galera? Assim, emergem os constantes falatórios... As veiacas, sem qualquer razão aparente, “não vão com a cara” porque “o santo não bateu” e outras infinitas desculpinhas mais, de modo a rejeitarem a pobre rapariga - que às vezes pode, de fato, ser uma filha da puta, diga-se de passagem-, tão sutilmente que a larga maioria não notaria. A sutileza a que me refiro é aquela antiga filosofia mafiosa do “mantenha por perto seus inimigos”, e disso decorrem lastimáveis e infantis situações, que exemplificam com maestria a hostilidade do universo feminino. Entre os homens isso é RARÍSSIMO, por mais sexista que tal afirmação possa parecer. A explicação para o cretino fenômeno em baila é algo que ainda não consigo compreender. Talvez morra sem entender, afinal, existe bicho mais complicado que mulher?

sábado, 10 de agosto de 2013

Amadurecimento necessário da alma

O paradoxo existencial: a intensa pressa em viver tudo que há para ser vivido e, em contrapartida, o medo em fazê-lo. Temor este que existe de maneira tímida, discreta, quase imperceptível, mas que possui papel fundamental na máquina direcionadora das condutas do indivíduo. Costumo falar que o maior e mais difícil defeito humano de ser perdoado é o egoísmo... No entanto, o que mais me incomoda, de fato, (e, portanto, o que mais enxergo em mim) é o tal do MEDO, posto sempre estar nos bastidores das maiores decepções e frustrações nas relações entre pessoas. Pelo medo deixa-se de viver ou vive-se de maneira insatisfatória, incompleta, comedida, previsível, SEGURA. Corajosos aqueles que ousam, arriscando-se mesmo quando o temor assombra feito uma voz no pé do ouvido, desencorajando-nos e incentivando à estadia na zona de conforto. Posto isso, o grande propósito da vida é o amadurecimento da alma, a meu ver. Amadurecer tem a ver com desprender-se de vícios comportamentais que nos atrasam, obviamente, e é justamente aí que reside a maior dificuldade. Desapegar-se de comportamentos que nos são automáticos, próprios da nossa natureza – instintivos, quase -, em nome de uma evolução espiritual. A brincadeira da vida não se resume a nascermos, procriarmos, morrermos e fim. Muitas vezes observo uma acomodação generalizada nos equívocos (nossos próprios e alheios a nós), que carinhosamente chamo de MIMIMI. Trata-se do abismo da lamentação, inconformidade, vitimização e a imperativa necessidade de atribuição de culpa a alguém, como se a contextualização maquiavélica (bom x mal, certo x errado) da situação fosse trazer paz de espírito efetiva. Ademais, defendo a ideia de ser imprescindível, no mínimo, tirarmos algum proveito das decepções vivenciadas, ou seja, aprendermos algo que possa auxiliar na evolução da alma, caso contrário, QUE VIDA DE MERDA, não?!
Nos meus poucos vinte e um anos de existência terrena, levo uma lição como certa: conforme os anos se passam, a coisa só piora. Contudo, não sejamos pessimistas, pois estar vivo é um presente. Enfim, observa-se na prática, como reação imediata a uma bela rasteira da vida, muitos jogos, competição, disputa de egos, retaliações e por aí vai. Nessa senda, concluo que a vaidade e o medo possuem relação íntima e desta surgem os maiores atrasos de vida. Estamos todos suscetíveis a nos tornarmos vítimas da passionalidade que há no íntimo de cada um; Os sentimentos podem levar qualquer pessoa sã à insanidade num piscar de olhos. Entretanto, como diria Dostoiévski: “Nada é mais fácil do que censurar um malfeitor. Nada mais difícil do que entendê-lo.”. Por mais que a minha fé na Humanidade diminua com o decorrer do tempo, acredito que ninguém é 100% bom ou ruim, de maneira simplória, como na ficção. A vida é deveras complexa e está aí para ser vivida em sua plenitude, o que implica em fazermos, por vezes, o impensado, pecando das mais variadas formas e nos arrependendo posteriormente, em algumas situações. Em suma, tenhamos empatia com o próximo, vez que somos todos mais parecidos do que desejamos enxergar e menos imprevisíveis e únicos como almejamos ser. É imperioso se jogar no mundo sem temer que ele te ferre, pois, afinal, ELE TE FERRARÁ INDEPENDENTE DISSO. Já dizia Kurt Cobain baixo astral que ninguém morre virgem, pois a vida fode a todos igualmente. A zona de conforto é um MITO e a magia está fora dela, por mais clichê que isso soe. Porém, não é preciso se afobar. Como canta o delicioso e brilhante Chico Buarque: “Não se afobe, não que nada é pra já.”.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

"Never underestimate the power of denial"

A máxima da vida é que as pessoas não querem a verdade, aquilo que é na essência o real; almejam verdades convenientes, embasadas em suas expectativas e nos seus mais íntimos desejos. Ninguém é o que é, mas sim o que nos parece e convém. Quando as máscaras caem e a real identidade das pessoas é mostrada, acuamo-nos, ficamos verdadeiramente intimidados. Ainda que a verdade seja boa, ela assusta, haja vista o fato de haver uma preferência coletiva em lidar com achismos. O maior dos achismos é aquele que se refere ao amor. Este intenso sentimento nos induz a cometer os mais gravosos equívocos de julgamento. Enxergamos a pessoa amada como ela é AOS NOSSOS OLHOS, não simplesmente como ela é na realidade concreta. Porque o afeto é a necessidade precípua do ser humano, gostar de alguém significa compartilhar, dividir e multiplicar, tudo ao mesmo tempo. Assim, cegamente nos entregamos, passando a enxergar os fatos com suavidade, relativizando-os. O genial filme "Beleza Americana" aborda bastante essa ideia, e traz em seu roteiro uma frase, que sem sombra de dúvidas resume o que ora abordo: "Nunca subestime o poder da negação." Negar a verdade, negar a essência do que realmente é e encontra-se diante de nós- de maneira explícita ou não-, passando a enxergar aquilo que se anseia, em subterfúgios íntimos, que estão em contato com nosso lado mais vulnerável. Este é, sem sombra de dúvidas, o deslize mais comum e perigoso inerente a nós, seres humanos. Em suma, perigoso porque a realidade assombra, quer estejamos de acordo ou não, quer encontremo-nos preparados ou não. A verdade é como uma força da natureza, nos foge ao controle, é autônoma e, independente de nossos esforços em mascará-la, tal como um tsunami, ela chega, de maneira vertiginosa e poderosa. Nietzsche, por sua vez, discorreu algo que facilmente pode se relacionar com tudo isso: “O juízo moral tal como o juízo religioso baseia-se em realidades que não o são. A moral é unicamente uma interpretação de certos fenômenos, dito de forma mais precisa, uma interpretação falsa. O juízo moral, da mesma forma que o religioso, corresponde a um grau de ignorância ao qual ainda falta o conceito real, a distinção entre o real e o imaginário: de tal forma que, a esse nível, a palavra <> designa simplesmente coisas a que nós hoje chamamos <>.” Noutro giro, outra obra igualmente brilhante cuja temática mantém íntima relação com o que exponho no presente texto é o livro "Ensaio Sobre A Cegueira". No entanto, a cegueira branca tratada no livro supramencionado vai além, inclui um debate acerca de ética, moral, amor ao próximo, tudo isso junto às mazelas humanas mais baixas. Assim sendo, ficarei adstrita à negação da realidade, de modo que a minha mensagem é basicamente o que Saramago nos propõe a refletir logo no começo da obra: "Se podes olhar, vê; se podes ver, enxerga." Como diria a personagem Sofia, de Vanilla Sky: "Open your eyes."

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Musas inspiradoras

Há um novo rótulo no que se refere às mulheres e ao papel que ocupam nos relacionamentos em que se inserem. Primeiramente, cumpre dizer que tudo que diz respeito às relações interpessoais, sobremaneira o que envolve romance, é deveras complexo. E haja paciência e força de vontade para lidar com as inúmeras intempéries que surgem no desenvolvimento de uma relação, independentemente do aprofundamento de sentimentos manifestado. Venho hoje discorrer acerca de um papel muito comum, mas que não recebe o apreço devido nas grandes obras de romance, sejam livros ou filmes: o de musa inspiradora. Uma musa inspiradora é aquela mulher fascinante, envolvente, especial de maneira que estar com ela não é como estar com as demais. É diferente, novo, excitante, porque ela é diferente, tem um quê a mais; com ela as coisas parecem fluir, fazem sentido; em sua companhia, as coisas são mais belas, mais reais, você se sente mais homem, mais capaz, e até mais interessante, por tabela. Seu universo combina com o dela, e por um momento ela é a eleita...Por um breve momento. No entanto, a musa está fadada a apenas encantar, ainda que exista verdadeira mágica nesse encantamento, sozinho ele se esvai, se perde, acaba. Em síntese, a musa inspiradora raramente é promovida ao papel de escolhida, pois a musa é fase, representa um momento, aquele efêmero instante que se precisa mais do que nunca de um pouco de luz, de risos fáceis, de sexualidade à flor da pele e uma dosagem de empolgação. A musa é usada e abusada, ainda que durante o processo seja intensamente amada e, por que não, considerada? Contudo, reitero: jamais será a escolhida, eleita ao posto de exclusiva companheira, namorada, esposa, ou o que quer que seja. Um clássico exemplo de musa inspiradora é a sedutora Alice, do genial e imperdível "Closer - Perto Demais", um filme, diga-se de passagem, necessário, para não dizer mais. Ao longo do filme, nota-se um quarteto amoroso, no qual Alice protagoniza como musa do personagem de Jude Law, um jornalista mal sucedido e sem grandes aspirações, que a partir do momento em que fita seus olhos nela, encanta-se, passando a usar de sua vida e personalidade como material para seu livro e, obviamente, para reafirmar-se enquanto homem. Ela o fazia se sentir especial, então assim ele construiu certa dependência do relacionamento construído por ambos. Até que surgisse Anna, a fotógrafa, que se torna objeto de seu afeto obsessivo, até o momento em que é promovida ao papel de escolhida, no decorrer do filme. E Alice?

Serviu como musa para depois ser trocada, dispensada, eliminada da equação...Até o momento em que ele precisasse de uma nova dosagem de inspiração. E, assim como costuma acontecer na realidade, a musa sucumbe à tentação, dando ao homem uma nova oportunidade, até que ela mesma se canse e dê um glorioso pé na bunda dele. Oh, the blower's daughter. Outro exemplo de caso clássico de musa inspiradora retratado no cinema é a Penny Lane, do épico "Quase Famosos". O brilhante guitarrista foi mais uma vítima de seus encantos, em razão do brilho sedutor que ela emanou por sua própria natureza cativante e envolvente...Porém, já havia outra eleita: sua noiva oficial, com a qual se relacionava paralelamente ao romance com a maior das band-aids da época (chamá-la de groupie seria ofensivo a todo bom entendedor e espectador desse eletrizante longa). Ela o inspirava a compor, a vibrar com as conquistas da banda, a sentir-se mais homem, a viver as mais vibrantes histórias. Com ela, ele alcançou a plenitude máxima em uma relação a dois. No entanto, ela não foi a escolhida, posto que a eleita havia sido outra. Ainda que a mágica estivesse ao seu lado, como aliada, a estabilidade e segurança residiam ao lado da noivinha sem graça de sua cidade natal. Vale salientar que o mesmo desfecho se observa aqui: ele a procura com o objetivo de tê-la consigo outra vez, mas ela o rejeita, cansou-se do posto de musa descartável. Outra musa inspiradora do cinema por quem nutro especial afeto, ademais, é a sexual e irreverente Tiffany, de "Silver Linings Playbook", papel que rendeu a Jennifer Lawrence seu primeiro Oscar. Neste filme, sua personagem é uma ex-nifomaníaca viúva com alma de artista e sinceridade afiada, que, em certo momento, cruza o caminho do personagem de Bradley Cooper, um bipolar sofrendo com dor de cotovelo após ter flagrado sua esposa com outro no banheiro de sua casa, enquanto transavam ao som da música que havia tocado no casamento deles. Após o flagrante, num surto típico, parte para a agressão desmedida e acaba sendo internado numa clínica. No processo de recuperação, já fora da clínica, conhece Tiffany, com quem divide muito em comum, logo construindo uma insólita amizade marcada por momentos de patadas e amadurecimento mútuo. Ela o ajuda a sentir-se normal de novo, a restabelecer sua estima por si próprio e o respeito frente à família e ex mulher. Há uma inequívoca tensão sexual gritantemente podada por ele e, num primeiro momento, instigada por ela, que nos deixa hipnotizados à espera pelo momento em que ambos se entregarão aos desejos da pele e da alma. Os dois sentem o mesmo vazio dentro de seus corações, além de serem igualmente deslocados na sociedade. Assim, aproximam-se, usam um ao outro para superar as fortes dores advindas de amores pretéritos. O que se vê é a musa inspiradora apaixonar-se, como de praxe, sozinha e sofrer ao perceber que não será eleita...Até ele assumir para si próprio que também gosta dela. Em suma, muitas coisas acontecem e um não tão surpreendente desfecho pode então ser visualizado. Portanto, a grande moral que pretendo passar é essa: ainda que as grandes historias de amor costumem envolver um casal que, apesar de todas as dificuldades interpostas, termina junto, há também aqueles romances que não necessariamente possuem um desfecho certo, mas que são regados com tanto ou mais afeto e por isso merecem nossa reflexão no presente momento. Dedico esse texto às musas inspiradoras da vida real. Acredito que toda mulher seja, tenha sido ou venha a ser a musa inspiradora de um cara ainda, e a elas dedico minhas palavras e meu sincero apreço.

sábado, 16 de março de 2013

"Teu amor é uma mentira que a minha vaidade quer"

Pessoas são escolhidas por nós para fazerem parte de nossas vidas mediante pura conveniência. Não existe ninguém certo para alguém, cada um é conveniente em certo momento. Uma vez expirado o prazo de conveniência, descarta-se a pessoa da vida feito um par de meias velhas. Culturalmente, somos induzidos a romantizar as relações, apegando-se, desse modo, à ideia de que existe uma pessoa certa para cada um de nós por aí e que um dia iremos ser vítimas da feliz coincidência do encontro, vivendo felizes para sempre. Ledo engano; porém, uma doce e bela ilusão. No decorrer de nossas vidas, estamos sujeitos a conhecer e possivelmente nos relacionarmos com um número imensurável de pessoas. Algumas irão nos cativar, farão com que nos apaixonemos irrefreavelmente, outras serão meros objetos dos nossos efêmeros desejos carnais e outras conquistarão de nós simples coleguismo, aquela básica civilidade que reservamos às pessoas insignificantes. O que quero dizer com isso tudo é que: pessoas chegam e saem de nossas vidas sem pedir permissão, de maneira tal que nos foge ao controle. Quando se misturam sentimentos então, danou-se. A pessoa irá abalar com suas estruturas em maior ou menor intensidade, a depender da profundidade do relacionamento vivenciado. No começo tudo parecem flores, o que nos leva a cair no tendencioso poço da romantização. Ainda que alguns de nós lutemos bravamente contra essa força cultural, uma parte ínfima de nós inevitavelmente já se encontra lá, ainda que argumentemos no sentido contrário. A grande verdade é que todos estamos sós e a ideia de haver um chinelo velho para nossos pés cansados é sedutora, atraente, nos puxa como uma força gravitacional em algum momento de nossas vidas. E é aí que eu queria chegar: no MOMENTO, timing, ou o que preferir chamar. Distraímo-nos da solidão das mais diversas maneiras possíveis, até que em algum momento ela nos assombra... Tentamos ignorá-la, mas ela ainda está lá, causando-nos inevitáveis arrepios. Por vezes somos jogados às sombras da solidão constatada pelas nossas famílias mesmo, que se apegam veementemente à ideia de que estar sem alguém é sinônimo de infelicidade. O peso da carência afetiva nos leva (inconscientemente) a crer que a pessoa que surgir e (parecer) preencher certos requisitos representará a misericordiosa solução.
Será CONVENIENTE tê-la por perto, devido a inúmeras razões que todos vocês bem sabem quais, como por exemplo: ter alguém com quem conversar e dividir as angústias, uma pessoa que nos incentive a atingir o máximo de nós, sexo frequente, companhia para programas como cinema, jantar, filminhos em casa em dia de domingo, etc. Ainda que estar em uma relação monogâmica implique em perdas/contras, em certo momento gostamos de nos apegar aos prós, às vantagens decorrentes. Argumentar sobre esta questão com argumentos racionais não quer dizer que os sentimentos sejam uma invenção, não é isso que estou defendendo. A questão é: a abertura para que os sentimentos nasçam vem justamente da conveniência do momento adequado. A meu ver, o amor não é mera aleatoriedade tal como os românticos de plantão defendem. Aquela baboseira de amor à primeira vista não passa de um conto de fadas, isto é, papo para criança dormir. Atração, empatia, química, paixão, esses sim podem surgir aleatoriamente, pois como já disse e reitero, fogem ao nosso controle. Porém, o desenvolvimento destes para algo profundo não decorre da magia fictícia romantizada. Mais realidade e menos “Crepúsculo”, por favor, juventude. São construções trabalhadas com base na conveniência (já estou repetitiva, mas é isso aí, haha), no forte desejo momentâneo de se ter alguém, e uma vez que se crê ter encontrado este alguém, inicia-se o processo de desenvolvimento da relação e, por conseguinte (em alguns casos), nasce um sentimento profundo, verdadeiro, intenso, por vezes pode-se chamar de amor, por que não? Desenvolver a relação implica em conhecer a fundo o outro, aprender a lidar com as diferenças psicológicas, culturais, pessoais advindas da criação, políticas, enfim, aprender a respeitar e gostar do outro a despeito das suas peculiaridades, de maneira a conviver em um processo evolutivo de troca e aprendizado, até chegar ao crítico ponto em que a felicidade não é suficiente... Situação em que a pessoa deixa de atender aos anseios pessoais, deixa de ser CONVENIENTE. Aí, meu amigo, hasta la vista. “I’ll see you in another life when we’re both cats.” Em síntese, por mais que se nutram sentimentos verdadeiros pela pessoa, em certo ponto ela deixará de ter a relevância que costumava ter, pois de alguma maneira o inesperado ocorreu: você não mais PRECISA dela. Vale salientar que infelizmente não se visualiza com frequência a simultaneidade desse desapego, que em raríssimas vezes é mútuo. O lado fraco da moeda, por assim dizer, a pessoa que ainda acredita na relação vive aquela genial expressão do Cazuza: “Teu amor é uma mentira que a minha vaidade quer”. Lidar com a rejeição é uma das mais infelizes lições que só a vida nos ensina, não adianta ler, escutar conselhos, ouvir músicas a respeito... Simplesmente dói, em todos os âmbitos, seja no afetivo ou no da vaidade. Contudo, estudos comprovam que ninguém nunca morreu de amor tampouco pela falta dele. A vida continua de maneira cíclica, estamos expostos ao incontrolável risco de nos apaixonarmos novamente, rejeitarmos, não sentirmos nada de especial e simplesmente vivermos a excitação do momento, gostarmos daquele alguém que simplesmente não se importa conosco, enfim, de nos surpreendermos com o outro a cada instante. Não quero dizer que não acredito em relações que perduram, mas a questão é: o que faz com que elas durem apesar de todos os dissabores é apenas um fator... Aquele que tanto reiterei ao longo do texto de forma repetitiva e chata: a CONVENIÊNCIA. Mas encontros e desencontros acontecem a todos os momentos, a beleza de se viver e não saber o dia de amanhã. Portanto, viva, porque um dia essa brincadeira acaba e você não vai querer morrer amargurado, vai? Isadora Cardoso.

Seu desinteresse me interessa

Há alguns anos pude perceber que, no que se refere aos relacionamentos entre as pessoas, é possível notar uma série de padrões comportamentais que se reiteram continuamente nas vidas de todos aqueles que se propõe, ainda que de maneira superficial, a viver um “romance”. Tenho pessoal afeição pelo tema relacionamentos ainda que esteja relativamente distante de compreender ou falar com propriedade destes, haja vista ter meros vinte e um anos de existência terrena. Não obstante isso, aventuro-me observando o modo como as pessoas e eu mesma nos relacionamos e o que se repete, como se estivesse implantado no famoso “inconsciente coletivo”. A tendência comportamental que pretendo discorrer a respeito é o fato de que o desinteresse de um é um dos fatores que mais parece despertar interesse no outro no delicado campo da conquista. Todos já tivemos uma determinada pessoa em nossas vidas que por mais que nos esforçássemos em demonstrar todo interesse do mundo, expondo as nossas melhores qualidades, selecionando assuntos que gerariam as conversas mais produtivas e encantadoras, simplesmente parece não produzir reação alguma no alvo em questão, uma vez que este se mostra indiferente ou até mesmo desinteressado, monossilábico. Dói. Dá raiva. Desgasta. Irrita. Deixa-nos com uma incógnita em mente: “O que será que fiz de errado? Como consertar?”. Possivelmente o alvo não seja lá o melhor partido do mercado (geralmente não é), mas pelo simples fato de ter esnobado, torna-se o último dos moicanos, a pessoa mais interessante da face da Terra, um desafio pessoal, uma conquista imprescindível. Acredito que a ideia de não obtermos êxito na tentativa de conquistar alguém tem um efeito negativo muitas vezes avassalador, pois toca na ferida da vaidade, do ego, onde mais dói. O filme “A Estranha Perfeita” traz em seu roteiro uma frase genial que se aplica a esta questão em particular: “Stroke a man’s dick, you get him for one night. Stroke a man’s ego you get him for life.” Traduzindo a parte que nos é interessante: Derrube o ego de um homem e você o terá. Mas a ideia se aplica igualmente às mulheres, valendo reiterar que sempre na específica fase de conquista, tanto para os homens quanto para as mulheres. De alguma maneira inacreditavelmente idiota e mais comum do que possa parecer, afeiçoamo-nos de forma quase obsessiva por aquele que nos desdenha ou simplesmente não dá reciprocidade ao irrefreável desejo pelo romance. Há também a hipótese em que a pessoa corresponde ao interesse pelo romance, mas não na mesma proporção advinda da expectativa idealizada em mente. Em todas essas situações, ferrou-se: nasce a paixão, a ideologia por trás de todas as justificativas que nós damos aos amigos e a nós mesmos para tentar explicar a simples rejeição e a maneira como ela pode ser contornada. Não conheço uma única alma viva que não tenha vivenciado a situação Tom/Summer do sensacional “(500) Days of Summer”. A verdade nua e crua é: as pessoas jamais irão corresponder inteiramente às expectativas que nelas depositamos, mas ainda assim, mesmo tendo ciência disso, foge ao nosso controle não criá-las, de maneira a deixar as coisas fluírem sem pensar no que pode vir a acontecer caso a paquera se desenvolva para algo sério em um futuro distante. Algumas pessoas conseguem não se deixar dominar pela angústia oriunda da expectativa, porém, negar sua presença é mentir para si mesmo. O ser humano é racional, de modo que pensar, refletir e muitas vezes viajar na maionese é inerente à espécie. Contudo, o que estou querendo abordar é a seguinte questão: alguém não demonstrar interesse deixa-nos fulos por dentro, fazendo com que um inevitável questionamento acerca do nosso próprio valor se instaure, de maneira que acabamos nos apegando à ideia de conquistar a pessoa a fim de silenciar esta voz de auto reprovação que passa a nos assombrar. Talvez conquistando essa pessoa que não está nem um pouco afim seja possível manter intacta a dignidade, a estima por si próprio. Portanto, ouso afirmar que os sentimentos que decorrem destas situações específicas não são belos, românticos e dignos de serem almejados. É por esta simples razão que a paixão decorrente desses flertes em que um polo demonstra extremo desinteresse e o outro, extrema devoção, vão por terra uma vez que o atrativo principal se perde: a pessoa desinteressada torna-se interessada. Porque meu bem, apenas o seu desinteresse interessa.