Todos nós deveríamos ser mais desapegados em relação às outras pessoas. Falo isso sem qualquer alusão à poligamia desenfreada, mas no sentido emocional mesmo. Talvez eu esteja falando por mim, em razão das experiências que já vivi, talvez não. No entanto, creio que o descontento em relação ao amor é geral entre a juventude contemporânea. Tanto que nunca se viu tanta “modernidade” no que concerne às relações interpessoais da atualidade. Quem nunca ouviu a frase “nos meus tempos as coisas eram diferentes” vinda de um avô ou tio, dita em tom de lamentação? Deixando claro, antes de qualquer coisa, que não defendo o tradicionalismo das gerações passadas e venha a condenar com um discurso moralista a dita “modernidade” dos relacionamentos em geral dos dias atuais, longe disso, só proponho uma breve reflexão.
O fato é que vivemos no que eu gosto de chamar de a era do grande livre arbítrio sexual. As pessoas estão muito mais inclinadas e dispostas a experimentar de diferentes formas suas sexualidades abertamente do que estavam, por exemplo, nos anos 80 ou 90. E, ao contrário do que se passou nos coloridos e gloriosos anos 60, primeira geração a desconstruir o amor romântico tradicional e propor uma verdadeira revolução sexual, grande parte das pessoas (não todas) hoje em dia não vivem a libertinagem sexual como algo de cunho político e filosófico, porém, puramente como refúgio à insatisfação existencial.
Nós somos a geração preguiçosa, acomodada, entediada, sem grandes objetivos e ambições. Tal como é dito no legendário filme Clube da Luta, “somos a geração sem peso na história”. Sem querer desmerecer as conquistas realizadas nos últimos anos, mas já o fazendo, saliento que nós vivemos para trabalhar, produzir, desenvolver tecnologias e formas que façam grandes empresas enriquecerem, para então consumirmos e continuarmos movendo o sistema, com uma economia desequilibrada, desigual e desleal. Como se já não bastasse tudo isso, soma-se ainda o caos do cenário político mundial. Enxergo como se a democracia estivesse comendo a si própria viva e nós não tivéssemos mais nada para fazer para impedir essa autofagia. Isso para não abstrair em relação à situação do meio ambiente e seu polêmico aquecimento.
Como não ser um suicida em potencial nesse mundo tão cinza? Quando não refletimos a respeito dessa situação robotizada na qual estamos inseridos, levamos a vida com certa tranquilidade e relativa monotonia, portanto, de modo a nos satisfazer, recorremos primordialmente aos prazeres materiais e sexuais. Nunca se esbanjou tanto dinheiro e tanta putaria como na atualidade, já notaram? A mídia, serva fiel do sistema, divulga a ideia de que a felicidade está basicamente nesses dois fatores, e quem irá negar isso, afinal? Basta ligar a televisão e observar como os conteúdos expostos estão poluídos com uma sexualidade banalizada e a apologia ao consumismo desregrado, além de glorificar o status das pessoas ricas (socialites e milionários), como forma de nos induzir a desejar a vida luxuosa que eles levam. Pense em “Mulheres Ricas” e “Keeping Up With The Kardashians”, por exemplo.
Longe de mim negar o quanto sou vítima do sistema como qualquer um de vocês. Não me coloco em posição de superioridade de maneira alguma e digo de boca cheia que quero trabalhar para ter independência e estabilidade financeira para poder viver da maneira como achar que devo sem ter que dar satisfações a ninguém. Ainda que não queira levar a vida regada a excessos luxuosos que a mídia divulga e muitos desejam, quero trabalhar para ter minha grana e não julgo isso como errado e desprezível. O problema reside justamente em construir sua vida encima disso e é essa a minha crítica. Trabalhar única e exclusivamente com a ambição de enriquecer e alçar o status de burguês de respeito. A meu ver, a vida vai muito além disso. Ser burguês não é defeito, o defeito é achar que só se é respeitável quando se é um e por isso deve-se ralar até conquistar esse posto. Se bem que se pararmos para pensar, só se é verdadeiramente respeitado quando se tem grana, mas não quero abstrair mais.
Em suma, vejo muita superficialidade nessa lógica e por isso não compactuo dela, ainda que tenha um milhão (e meio) de outras futilidades em minha mente. Trabalha-se para viver bem e nada mais. Viver bem para uns tem a ver com o modo como a sociedade os enxerga com admiração, para outros tem a ver com a tranquilidade de levar a vida com estabilidade financeira. Para outros, os dois. Não dá para julgar o propósito de ninguém (ainda que eu enxergue como superficial, não é uma verdade absoluta, trata-se de uma opinião relativa, minha), apenas me proponho a refletir como nos colocamos na situação robotizada já discorrida anteriormente.
Quanto à visível libertinagem sexual da atualidade, a crítica não está nas pessoas explorarem a fundo suas sexualidades e vivenciarem fantasias das mais variadas formas. Enxergo isso como saudável e natural e inclusive, recomendável. A raiz de muitas neuroses humanas está na repressão sexual, mas esse já é outro assunto. Em relação ao posicionamento das mulheres nesse quadro, enxergo como afronta aos resquícios de machismo e sou a primeira a aplaudir de pé o fenômeno em questão. É de conhecimento geral que a mulherada conquistou um espaço significativo através do estudo e trabalho perante a sociedade, diversas pesquisas comprovam a relativa soberania no desempenho feminino nas faculdades e no mercado de trabalho. Dessa forma, economicamente independente e com completa autonomia sobre si mesma, a mulher contemporânea padrão samba na cara da sociedade e explora sua sexualidade a fundo, muitas vezes podendo ser estereotipada negativamente por homens mais tradicionais (para não dizer hipócritas, mas né?).
Não estou dizendo que precisamos nos reafirmar como independentes e autônomas sobre nossos corpos através de um comportamento poligâmico e, por vezes, emocionalmente distante. Muito pelo contrário, lidar com um parceiro já é complicado, que dirá com muitos. Contudo, o que eu enxergo nessa conduta sexualmente permissiva e aberta é uma grande insatisfação existencial e tédio. As pessoas mais poligâmicas são geralmente as mais carentes e insatisfeitas emocionalmente. Pelas incontáveis conquistas visam obter, em síntese, afeto. E como julgar essa lógica?
No fundo, TODOS nós, uns mais e outros menos, queremos amar e ser amados em retorno. Por mais que sejam construídas inúmeras defesas, inúmeras vezes muitíssimo bem argumentadas racionalmente, esta é a grande verdade por trás das máscaras que sustentamos frente à sociedade. Acredito que esse romantismo tenha se transformado em cinismo e desdém, logo, entregam-se todos (generalizando) à poligamia desenfreada como escapismo.
Em suma, a fuga da monogamia padrão é vontade oculta de tê-la; o distanciamento emocional através do desapego é medo; a exploração da sexualidade em suas mais distintas formas é fuga da realidade frustrante (intimamente falando). Toda a putaria atual é fruto de um romantismo duramente silenciado.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
A superação de uma fobia

Em meio a mais uma madrugada de estudos, um surpreendente encontro: A barata e eu. Aos que não tiveram conhecimento dessa perturbadora relação, um breve resumo: Este inseto do tamanho do meu pulso apareceu no sábado passado (19/11) no meu banheiro, provocando verdadeiro pavor em minha tão afeminada pessoa. Desesperada pela falta de alguém com colhões suficientes para perseguir tão maldito peste, subi na cadeira mais próxima e chorei, enquanto minha irmã assistia à cena dando sádicas gargalhadas. Sim, a situação chegou a esse nível patético. Após muitos xingamentos de minha parte, ela finalmente assumiu o posto de caçadora. No entanto, já era tarde: A infame criatura adentrou-se em meu armário, misturando-se nos meus inúmeros calçados. Desde então, nunca mais encontrei a barata gigantesca, apesar de ter feito uma verdadeira limpa no meu armário. Até hoje. Até agora. Realizando uma breve pausa em meus estudos, resolvi ir à cozinha colocar comida para o Fluke, meu cachorrinho amado. Quando, inesperadamente, quem se encontrava misturada na ração? Sim, a maldita. Imaginem o susto, a surpresa e, contraditoriamente, a satisfação que me acometeu. Como já está tarde da noite, não pude gritar nem espernear, portanto agi com racionalidade e fui procurar algo que servisse de veneno. Mas com a ansiedade e o temor de perdê-la de vista, mais uma vez. Fui rápida e o destino conspirou ao meu favor: Havia um veneno eficaz contra baratas ao meu alcance! A imbecil criatura sequer havia mudado de lugar, o ataque era oportuno e as minhas chances de matá-la eram enormes. Aliás, a possibilidade de ela fugir mais uma vez era nula. Foi então que, com bravura inquestionável, dirigi-me a ela e consegui afogá-la numa verdadeira poça de veneno. Antes que ela pudesse escapar, peguei uma vassoura e espanquei ela, tal como a implacável cena tarantinesca do Jew Bear, em Bastardos Inglórios. Enfim, chegou ao fim a rivalidade entre a ex-fresca e a Dona baratona. A vitória é minha. Que venham os próximos. Ou não.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
A burrice masculina na conquista

Talvez possa parecer extremamente generalizador afirmar isso, por isso eu posso perder credibilidade ao fazê-lo, mas os homens são verdadeiros acéfalos no que concerne à conquista das mulheres. Caso estas sejam dotadas de amor próprio, é claro, pois as que não se valorizam o suficiente para impor respeito frente aos demais, apaixonam-se por aqueles que, explícita ou implicitamente as maltratam, como que num círculo vicioso de masoquismo emocional. A meu ver, a questão do amor próprio é relativa: Há momentos nas nossas vidas em que nos sentimos a última bolacha do pacote, enquanto em outros inserimo-nos numa crise existencial de auto-piedade triste. E é justamente nestes momentos que ficamos suscetíveis a nos apaixonar por babacas. A carência somada ao déficit de auto estima constituem o pior inimigo dos seres humanos, sobremaneira das mulheres.
No entanto, o que quero discorrer aqui é sobre a tamanha burrice masculina na arte da conquista de mulheres "bem resolvidas". Digo burrice, pois há uma simplicidade tão avassaladora em conquistá-las com dignidade que soa patética a não percepção dos homens disso. Para obter sucesso com uma mulher, seja no processo de conquista ou reconquista, basta que faça ela se sentir única, exclusiva, especial, indispensável e todos esses clichês e deixe de lado seu orgulho de macho. No entanto, isso deve ser sincero, caso contrário você não passará de um charlatão barato que conseguirá a atenção amorosa dela por tempo limitado. Obviamente, se ela racionalizar tudo e não se entregar de corpo e alma na relação, pois, uma vez apaixonada, fudeu tudo. A paixão nos imbeciliza de uma forma tal que somos alvos fáceis de pessoas mal intencionadas e aproveitadoras.
Mas o que quero reiterar é o seguinte: O grande problema está no orgulho de macho. Muitas vezes, a fim de mantê-lo intacto, os homens deixam as mulheres que amam/são apaixonados/se interessam partirem sem lutar por elas verdadeiramente. Desistem delas, ironicamente, pela falta de culhões. O orgulho de macho nada mais é do que a importância do julgamento da sociedade predominantemente machista. Com a finalidade de obterem a aprovação dos demais, abrem mão da mulher que se afeiçoam. Talvez por se tratarem de mulheres complicadas e de difícil temperamento, sentem-se na obrigação de não se subjugarem a elas. Ou pelo fato de serem má afamadas. Nota-se aí forte influência da mentalidade machista no comportamento dos homens... Aderindo a tal mentalidade, sabotam-se. Im-be-cis.
Portanto, como se já não bastasse à falta de tato na conquista, são igualmente imbecis na arte da reconquista. Não são todos, mas a grande maioria. Existem as exceções, óbvio, mas a regra é essa. Quantas mulheres terão que deixar passar até que aprendam isso?!
segunda-feira, 18 de julho de 2011
A ditadura do amor

Ultimamente tenho pensado e repensado inúmeras questões, mas uma em particular tem tomado conta dos meus neurônios: O amor. Não é a primeira vez que venho escrever sobre ele, tampouco é a primeira vez que me pego pensando nesse emaranhado de sentimentos que é o amor, a meu ver.
Ele é capaz de mover montanhas, mas ao contrário do que a lenda popular prega, não é eterno. Acredito que possa, sim, ser reciclado continuamente mediante esforço e paciência, porém, não acho que por si só ele se sustenta. Não existe por existir, sobrevive. As chances de desaparecer em um determinado relacionamento são incontáveis, por isso é necessário cultivá-lo.
Ao contrário da paixão, que é de uma intensidade fugaz, o amor teoricamente seria estável e duradouro... No entanto, todos sabem que na prática ele não é assim. Com ele surge uma grande quantidade de elementos que podem jogar qualquer estabilidade no vento. A preocupação, o senso de proteção, os ciúmes, o ódio (e não há qualquer incoerência em afirmar que ele está presente no amor, pois o contrário ao nobre sentimento em questão é a indiferença, vulgo, ausência de quaisquer sentimentos), medo de perder, etc.
Portanto, ouso afirmar que o amor consiste no mais complexo dos sentimentos, justamente pelo fato de trazer em seu âmago a maioria, senão todos eles. A indústria cinematográfica, a literatura e outros canais midiáticos são responsáveis pela romantização do mais realista de todos os sentimentos, o que, por conseguinte, traz inúmeras frustrações nas vidas de nós, meros mortais famintos por amor.
Ao nos depararmos com ele, ficamos assustados por ele não oferecer a simplicidade que supostamente estaria implícita na sua essência, segundo o que eu chamo de “a ditadura do amor”. Esta é a responsável pelas diversas pessoas frustradas sentimentalmente no mundo! La dittatura sanguinaria di amore!
Inconscientemente, criamos a falsa expectativa de que com a manifestação do amor em um relacionamento, seja ele amistoso, amoroso ou familiar, tudo será mais simples. Como se ele fosse a resposta de todos os problemas! Como se pelo fato de ele existir tudo de uma maneira inexplicável estaria parcialmente resolvido. Ao nascermos somos bombardeados com lições de moral, como: “Vocês devem conquistar o amor de alguém, constituir uma família, tornarem-se ricos e bem sucedidos, o resto é resto!”.
O que me incomoda é essa estúpida finalização...”O resto é resto?”Mas é justamente o “resto” que se trata a nossa vida. Enquanto todos esses estigmas do que seria uma vida com qualidade são impostos, colocando-nos na corrida para alcançá-los e conquistar a vida em seu mais alto grau de satisfação, o que sobra? O resto. Até ficar rica, bem casada, bem comida, bem amada e bem sucedida eu estarei fazendo outras coisas, que não necessariamente são desprezíveis só por não se enquadrarem no rótulo imposto socialmente (pelo sistema econômico, pela moral e pela religião, não necessariamente nessa ordem) do que seria aceitável e recomendável.
O amor acaba perdendo sua real essência, pois mistura-se com idealizações criadas por outrém...A vida acaba tornando-se uma fórmula matemática, exata e simples:
Amor + dinheiro = Vida feliz.
Conquistar o amor de alguém já é complicado por si só, uma vez que envolve as questões da reciprocidade e da saúde mental dos envolvidos, pois para ser duradouro o amor implica a reciprocidade do sentimento nos envolvidos e a presença ou ausência de sanidade mental em ambos. Como se o amor fosse uma trilha e as pessoas que se disponibilizam a caminhar por ela devem estar igualmente preparadas para tal. Fazendo uma analogia: Se for uma trilha emburacada (pessoas com neuroses e traumas, por exemplo), quem se disponibilizar a caminhar deve adentrar-se nela em um bom e resistente jipe, para que suporte as dificuldades do trajeto.
Mas a ideia vendida predominantemente nas mais diversas mídias pressupõe que o amor é calmo, eterno e isento de defeitos, passando a tornar-se objeto de cobiça de todos os expectadores. Idealização filha de uma égua velha! O amor está LONGE de ser calmo, eterno e perfeito...Ele é turbulento, sim, mas é aí que se encontra a sua beleza.
Nas complicações que precisamos e devemos passar para manter sua chama acesa, aquecendo a alma e dando suporte nos momentos difíceis. Ele traz dor de cabeça? Traz, e não é pouca, não. Mas quem disse que por isso ele é menos maravilhoso? Temos que nos desapegar das idealizações que nos são impostas e enxergá-lo da maneira como ele se manifesta na realidade: Sendo difícil, certas vezes beirando ao insuportável, mas ainda assim mágico. Não mágico no sentido fantasioso e romantizado, mas no sentido de que inspira o mais belo que existe nas pessoas: O ALTRUÍSMO.
Quando amamos verdadeiramente, abrimos mão de coisas que possam colocar em risco o amor ou o bem estar da pessoa amada. Existe algo mais mágico do que isso? Vivendo em um mundo em que o egoísmo é o grande imperador dos sentimentos, qualquer raio de altruísmo pode ser considerado magia. E que linda magia!
sábado, 2 de abril de 2011

I want to reach people and express myself. You have to put up with the risk of being misunderstood if you are going to try to communicate. You have to put up with people projecting their own ideas, attitudes, misunderstanding you. But it’s worth being a public fool if that’s all you can be in order to communicate yourself.
Sedgwick, Edie.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
19 chegando, 18 despedindo

Prestes a completar dezenove primaveras, encontro-me mais sensível do que nunca. Talvez sejam apenas hormônios juvenis, ou as experiências que tenho vivido ultimamente que me deixem assim. E, pessoalmente, fico feliz com isso. A sensibilidade me permite sentir o mundo por completo, ainda que seja muito pretensioso da minha parte afirmar isso.
A grande verdade é que estou me comovendo mais as coisas ao meu redor. Uma cena bem escrita em O Clone, uma verdade dilaceradora expressa em alguma frase do Caio Fernando Abreu, um bom filme, uma conversa intensa, e logo começam a cair lágrimas dos meus heterocrômicos olhos. Lágrimas não necessariamente sofridas, mas lágrimas sinceras. Verdadeiras. Ademais, lágrimas também de felicidade. Estar sensível não quer dizer estar triste, como o senso comum nos induz a pensar. A sensibilidade também se encontra presente na felicidade. Então, sensível quer dizer suscetível a sentir, seja lá o que for (alegria, tristeza, ódio, etc.).
Posso afirmar que 2011 tem sido um ano de grandes emoções, ainda que mal tenha começado. E como isso é bom. Vejo-me como uma masoquista emocional, haja vista que adoro estar borbulhando emoções, ainda que negativas sejam. A serenidade dos céticos é algo que jamais irá me pertencer tanto quanto a explosão de sentimentos dos românticos. E por românticos não me refiro àqueles que vêem os parceiros romanticamente, mas aos que enxergam a vida romanticamente. Pessoas que enxergam a oportunidade de viver como algo intenso, maravilhoso e ao mesmo tempo grotesco.
Aliás, a serenidade dos céticos só toma conta de mim em momentos que exigem certo altruísmo de minha parte. Quando alguém que amo está sofrendo ou passando por maus bocados, precisando do meu suporte. Assim, entro com minha massa cinzenta pensante, deixando minha bomba emocional de lado. É importante ter conhecimento dessa divisão: Lado racional e lado emocional. O equilíbrio entre ambos é que denota se somos inteligentes ou não.
A meu ver, inteligente não é aquele que lê a Folha de São Paulo todos os dias, que sabe conversar sobre assuntos da atualidade com maestria, além de dominar assuntos complexos com certa facilidade. Sim, uma pessoa com essas características tem grandes chances de ser inteligente, mas o verdadeiro intelectual é aquele que sabe quando privilegiar seu cérebro e quando privilegiar seu coração, de maneira equilibrada e sensata.
De nada adianta ter um Q.I inacreditavelmente acima do normal, vivendo de maneira austera e focada no trabalho, se a sua vida emocional está praticamente abandonada. Assim como de nada adianta ser uma pessoa intensa e emotiva, adepta da filosofia do Carpe Diem, se sua vida profissional está largada às traças. Feliz é aquele que sabe encontrar o equilíbrio entre ambos cedo.
Não obstante, por mais que esse assunto de inteligência seja tentador, não estou com vontade de abordá-lo mais profundamente nesse texto. Após tanto tempo sem postar textos escritos por mim nesse quase abandonado blog, venho escrever hoje, pois encontro-me inspirada em função do meu aniversário que se aproxima. Não sei se estou pronta para me desapegar dos 18 anos e abraçar os 19 anos. Talvez esteja dramatizando uma questão pragmática, que é a chegada do aniversário, mas a questão é que o ano passado foi o melhor ano da minha vida, por inúmeras razões que não desejo pontuar aqui, e isso traz certo temor pelo atual ano de 2011. Talvez seja o medo de estar próxima dos vinte anos, talvez seja o medo de que esse ano não será tão bom quanto o ano anterior, ou talvez eu apenas esteja relutando contra mudanças.
As mudanças são necessárias e imprescindíveis no curso da vida. Se ela fosse constante, de que maneira iríamos evoluir? O grande barato de viver é estar exposto a transformações. A única constante é a transformação, seja ela interna ou externa. Mediante ações, podemos alterar o meio em que vivemos, e quiçá o mundo, se houver vontade e disposição suficientes.
Existem momentos em que eu luto contra essas mudanças por achar que cedendo a elas, estarei perdendo a estabilidade que já conquistei... O que é uma verdadeira burrice. Ainda que certas mudanças tragam transtornos e sofrimentos, elas não ocorrem por acaso. Penso que a predestinação não é apenas um mito religioso, mas um fato. Todo nosso percurso já está traçado, ainda que eu não saiba responder precisamente por quem ele tenha sido traçado e por quê. Sim, a grande massa popular responde: “Deus é o grande criador e escritor de nossas histórias. Ele sabe tudo, Ele é o pai de todos nós!”. Mas é difícil afirmar algo como isso com tanta veracidade quando não temos acesso a isso. É aí que entra a questão da fé. Particularmente, não sou adepta de nenhuma crença religiosa por completo. Tenho certa afinidade com o espiritismo, mas declaro-me agnóstica.
Ademais, a nós, meros mortais, só nos resta ter a fé de que nada é por acaso e de que existe algo acima de nós, haja vista que a vida terrena é apenas uma etapa da verdadeira existência, que se encontra em outra dimensão. Não acho que as pessoas encontram-se por acaso. Cada pessoa que passou em minha vida trouxe uma diferente significação para mim. As pessoas que eu mantenho por perto, as que eu mantenho distantes e as que eu não consigo manter relação nenhuma em função de alguma mágoa, cada uma tem um significado muito importante em minha vida, contribuindo para minha evolução e também para meu retrocesso, dependendo do modo como eu lido com ela.
Como diz a letra da música “Encontros e Despedidas”, da Maria Rita:
Todos os dias é um vai-e-vemA vida se repete na estaçãoTem gente que chega pra ficarTem gente que vai pra nunca maisTem gente que vem e quer voltarTem gente que vai e quer ficarTem gente que veio só olharTem gente a sorrir e a chorarE assim, chegar e partir
Espero, nesse ano de 2011 e com meus dezenove aninhos então completados, passar por experiências que contribuam para meu crescimento pessoal. Almejo conhecer pessoas interessantes, tanto quanto as que conheci no ano passado ou até mais. Quanto às pessoas que não me querem o bem, só posso lhes dizer uma coisa: “Que tudo que você desejar a mim volte em dobro para você.” Carma is a bitch, baby. Como diria Justin (Bieber? NOT!) Timberlake: What goes around, comes around. Todas as nossas ações terão reações nas vidas dos outros e na nossa, portanto bastante JUÍZO e RESPEITO ao próximo é a pedida desse novo ano.
Bom, minha gente, meus árduos leitores e alguns curiosos, a vocês um feliz ano de 2011. Espero que vocês tenham seus sensos de justiça e humanidade aflorados, deixando de lado os preconceitos e crenças ignorantes que possivelmente sustentem. Todos temos MUITO a melhorar, então, aconselho vocês o que Bill Gates aconselhou a seus filhos: Antes de querer mudar o mundo, comece arrumando seu quarto. Quem entendeu, ótimo, quem não entendeu, um dia irá entender haha.
Um grande beijo, Isadora Cardoso.
domingo, 19 de dezembro de 2010
"Sempre mórbida essa menininha..."

Ajoelhada nos pés da cama, onde os dois amantes morreram, Anita diz:
- Essas paredes, as tábuas do chão, portas, janelas, tudo isso é testemunha do que aconteceu entre os dois amantes. E esse espelho, olha esse espelho – Diz Anita caminhando até o espelho - Ele refletiu toda cena de ciúmes, também a morte dos dois, já imaginou que fascinante conhecer o passado de um espelho? Entrar por dentro dele, como Alice? O que você está pensando?
- Que eu tenho que ir embora. – Diz Fernando.
- Assim de repente? Por quê?
- Foi como eu entrei, de repente!
- Volta amanhã...
- Quem sabe a gente se encontra outro dia... De qualquer maneira obrigado, eu estava chateado, deprimido, você salvou meu dia. Espero que não haja rejeição ao transplante! – Responde Fernando se referindo ao vaso de flor que caiu do sobrado de Anita.
- Eu acho que você se aborreceu comigo, eu juro que não sou louca, mas é que... Olha...
- Você está chorando?
- Eu fico emocionada sempre que eu falo na Cíntia.
- Cíntia? Quem é Cíntia?
- A moça que morava aqui, que foi assassinada pelo amante. Ele era Luciano, ela Cíntia.
- Eu usei o nome Cíntia em um conto que escrevi a muito tempo, incrível! No meu conto ela também era assassinada pelo amante... Coincidência...
- Nada é coincidência, tudo está escrito! Não acredita no destino? Acha que foi mesmo por acaso que você entrou aqui? Que a gente se conheceu? Tava escrito, assim como ta escrito que você vai voltar.
- Pode ser... Mas o que está escrito mesmo nesse momento é que eu tenho que ir embora. Tchau... Prazer mesmo!
Fernando termina seu cigarro e desce as escadas...
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