quinta-feira, 24 de maio de 2012

A confiança superficial é padrão nos relacionamentos

A falta de liberdade que o namoro tradicional traz é uma merda. Não sou capaz de encontrar outro adjetivo que qualifique melhor do que este: Merda. Todas as decisões devem ser tomadas de comum acordo, de modo que as escolhas que cada um terá de fazer a partir do momento que se inseriu na relação monogâmica deverão ser dialogadas e meticulosamente negociadas. Quando me refiro a namoro tradicional, quero dizer relação monogâmica entre duas pessoas assumida publicamente tendo como pressuposto básico, e basilar, a fidelidade de um para com o outro. Tenho o hábito de observar o modo como as pessoas ao meu redor se relacionam para tentar entender um pouco mais do funcionamento da nossa espécie, pois é inegável a existência de padrões e tendências perceptíveis na maneira como o homem se relaciona com o próximo. Ao realizar esse exercício voyeurístico, consigo prever certas condutas nas pessoas e sinto um verdadeiro sentimento de onipotência. Não, eu não sou um gênio nas relações interpessoais (estou, aliás, muito distante disso), mas proponham-se a fazer uma observação mais aguçada das pessoas ao seu redor e entenderão o que eu sinto. Nós, seres humanos, somos dotados de uma previsibilidade enorme. Até mesmo pessoas imprevisíveis são previsíveis na sua imprevisibilidade. Deveriam criar uma teoria encima disso. Mas não fujamos do tema... Hoje, particularmente, ao conversar com uma pessoa querida que se encontra, como o Facebook rotula, em um “relacionamento sério”, cheguei à máxima de que a confiança superficial é padrão nos relacionamentos. Alguns poderão pensar: “O que essa retardada está querendo dizer com isso?”, então vou simplificar: Criemos a seguinte mini narrativa: (A), do sexo feminino, possui um namoro tradicional com (B), do sexo masculino; (C), amigo solteiro de (B) o convida para passar o Carnaval em Ubatuba (por exemplo). Opções: 1) (B) aceita com empolgação o convite e simplesmente avisa sua namorada (A) que irá viajar para passar o carnaval com (C) em Ubatuba, que aceita de bom grado a decisão tomada unilateralmente por (B); 2) (B), já com certo desânimo, avisa a (C) que precisará notificar (A) da tentadora proposta e ver se ela “libera” sua viagem. Todos sabem o que acontece em um NAMORO PADRÃO, como já descrevi, não é preciso abstrair muito nesse exemplo fictício para constatar que a segunda opção é a que mais comumente se manifesta. E é isso que me “incomoda”. O motivo pelo qual (A) muito provavelmente vetaria a viagem de (B) com seu amigo (C) é porque não confia nele, portanto, tem-se aí a confiança superficial padrão. Entenderam? Obviamente, ela não diria isso, divagaria sobre as inúmeras razões pelas quais seria uma má ideia ele viajar sem ela para o Carnaval com um amigo solteiro. Porém, a única razão é a falta de confiança na fidelidade do namorado, que estaria exposto a inúmeras tentações. Esse fenômeno da confiança superficial padrão já me acometeu, sim, não vou negar. O “incômodo” que sinto com sua frequente manifestação é da observadora, não da pessoa inserida na relação monogâmica tradicional. É muito difícil confiar no outro, mas acho que uma vez essa confiança conquistada e comprovada sua força, deve ser cega, caso contrário, a relação irá se sustentar em uma mentira, em uma superficialidade, em uma hipocrisia. Os membros do casal dizem confiar um no outro, mas vetam esse tipo de situação explicitada acima. De duas possibilidades, uma: a) As pessoas não são confiáveis, no sentido de que quando se encontram tentadas e/ou direcionadas a cometer algo pecaminoso, muito provavelmente o cometerão; ou b) Uma vez conquistada a confiança no outro dentro da relação, ela deve ser presumida sempre. Ainda que (B) se encontre tentado a trair (A) em Ubatuba, ela deve presumir que ele será fiel e esperar por isso, não o contrário. Esse debate faz com que eu me recorde da obra-prima do cinema, e um dos meus filmes preferidos, “O Advogado do Diabo”. Particularmente de uma frase dita pelo personagem do lendário Al Pacino, diga-se de passagem, em um de seus melhores momentos na carreira: “Freedom, baby... is never having to say you're sorry.”. Traduzindo: Liberdade é nunca ter que pedir perdão. Em suma, estar em um relacionamento implica em abdicar da liberdade pessoal de errar, pois, só pedimos perdão ao outro quando erramos. Dessa maneira, a liberdade dentro dos relacionamentos já estaria fadada ao fracasso, pois é inerente ao ser humano errar e decepcionar o outro (não necessariamente pela traição, que fique bem claro). No entanto, é justamente aí que entra o paradoxo: Ao se inserir em um namoro padrão, você abdica da sua liberdade, mas em troca de confiança, porém esta existe apenas superficialmente. Logo, em um relacionamento, têm-se apenas expectativas e não certezas. Você nunca irá saber ao certo se o outro irá ser fiel e se o relacionamento terá um futuro, você simplesmente mergulhará de corpo e alma, apegando-se à expectativa de que isso se materialize na realidade. Existe algo mais romântico do que isso? É por isso que sou uma eterna romântica, pois o romantismo é comprovado racionalmente. A todos vocês que se encontram em um “relacionamento sério” com alguém, um beijo carinhoso.

Sorriso demais é tristeza

Certa vez ouvi que as pessoas que mais aparentam ser felizes são de fato as mais infelizes. Não sei se a frase era exatamente assim, mas a minha conclusão encima dela é esta: Trata-se de uma das verdades mais absolutas no que concerne às pessoas. Obviamente que existem exceções à regra, mas sempre desconfie de quem sorri demais. Aprendi desde cedo que pessoas sorridentes a todo instante podem ser ou dissimuladas ou infelizes. Dissimuladas por serem infelizes ou infelizes por terem que dissimular sua tristeza. Apenas o tempo irá desmascarar o sujeito supostamente de bem com a vida e simpático em demasia. Não estou descriminando de maneira alguma, até porque eu me pego usando com frequência do senso de humor para lidar com a momentânea tristeza existencial. Afinal, quem nunca fez uma piadinha com a realidade frustrante só para poder conseguir suportar a dor? Só para, num recurso de negação, auto-enganar-se ao ponto de achar que assim a tristeza diminuiria? Nessa altura do campeonato, penso que não há nada mais triste do que olhar-se no espelho e ver seu reflexo nebuloso, mascarado, e essa figura disforme engana os outros de igual maneira. Esse é o famoso (ou não) conflito existencial. A dissimulação em razão de um conflito existencial é digna de perdão. No entanto, a dissimulação em razão de um conflito social é ridícula. Pessoas usando máscaras de uma falsa felicidade para atrair pessoas ao seu redor, com o escopo de construir uma "popularidade" que enfim lhe dê o afeto que tanto necessita. É triste e possivelmente deriva de um conflito existencial, mas eu, Isadora, particularmente, acho escroto. Escroto porque, ainda que o intuito inconsciente seja necessidade de afeto, o objetivo maior é adquirir popularidade e suprir a necessidade de aprovação que não obteve em casa. Esse texto está me soando como psicologia de buteco, porém, são palavras sinceras e escritas por causa do que a vida já me mostrou. Meu maior lema é: Viva, observe as relações, absorva lições e dissemine o conhecimento obtido. É bem isso, a gente se ferra muito até aprender, mas quando aprende, tem a obrigação de auxiliar ao próximo. É óbvio que só aprendemos sozinhos, mas ter alguém experiente dando um norte é fundamental. Por isso, não sejam seduzidos pela falsa simpatia de alguns instantaneamente, meus caros. Em suma, sorriso em demasia indica dissimulação, sendo esta oriunda de um conflito existencial ou de puro joguinho social para obter afeto e aprovação de estranhos. Um beijo e um abraço, Isadora Cardoso.

Toda a putaria atual é fruto de um romantismo duramente silenciado.

Todos nós deveríamos ser mais desapegados em relação às outras pessoas. Falo isso sem qualquer alusão à poligamia desenfreada, mas no sentido emocional mesmo. Talvez eu esteja falando por mim, em razão das experiências que já vivi, talvez não. No entanto, creio que o descontento em relação ao amor é geral entre a juventude contemporânea. Tanto que nunca se viu tanta “modernidade” no que concerne às relações interpessoais da atualidade. Quem nunca ouviu a frase “nos meus tempos as coisas eram diferentes” vinda de um avô ou tio, dita em tom de lamentação? Deixando claro, antes de qualquer coisa, que não defendo o tradicionalismo das gerações passadas e venha a condenar com um discurso moralista a dita “modernidade” dos relacionamentos em geral dos dias atuais, longe disso, só proponho uma breve reflexão. O fato é que vivemos no que eu gosto de chamar de a era do grande livre arbítrio sexual. As pessoas estão muito mais inclinadas e dispostas a experimentar de diferentes formas suas sexualidades abertamente do que estavam, por exemplo, nos anos 80 ou 90. E, ao contrário do que se passou nos coloridos e gloriosos anos 60, primeira geração a desconstruir o amor romântico tradicional e propor uma verdadeira revolução sexual, grande parte das pessoas (não todas) hoje em dia não vivem a libertinagem sexual como algo de cunho político e filosófico, porém, puramente como refúgio à insatisfação existencial. Nós somos a geração preguiçosa, acomodada, entediada, sem grandes objetivos e ambições. Tal como é dito no legendário filme Clube da Luta, “somos a geração sem peso na história”. Sem querer desmerecer as conquistas realizadas nos últimos anos, mas já o fazendo, saliento que nós vivemos para trabalhar, produzir, desenvolver tecnologias e formas que façam grandes empresas enriquecerem, para então consumirmos e continuarmos movendo o sistema, com uma economia desequilibrada, desigual e desleal. Como se já não bastasse tudo isso, soma-se ainda o caos do cenário político mundial. Enxergo como se a democracia estivesse comendo a si própria viva e nós não tivéssemos mais nada para fazer para impedir essa autofagia. Isso para não abstrair em relação à situação do meio ambiente e seu polêmico aquecimento. Como não ser um suicida em potencial nesse mundo tão cinza? Quando não refletimos a respeito dessa situação robotizada na qual estamos inseridos, levamos a vida com certa tranquilidade e relativa monotonia, portanto, de modo a nos satisfazer, recorremos primordialmente aos prazeres materiais e sexuais. Nunca se esbanjou tanto dinheiro e tanta putaria como na atualidade, já notaram? A mídia, serva fiel do sistema, divulga a ideia de que a felicidade está basicamente nesses dois fatores, e quem irá negar isso, afinal? Basta ligar a televisão e observar como os conteúdos expostos estão poluídos com uma sexualidade banalizada e a apologia ao consumismo desregrado, além de glorificar o status das pessoas ricas (socialites e milionários), como forma de nos induzir a desejar a vida luxuosa que eles levam. Pense em “Mulheres Ricas” e “Keeping Up With The Kardashians”, por exemplo. Longe de mim negar o quanto sou vítima do sistema como qualquer um de vocês. Não me coloco em posição de superioridade de maneira alguma e digo de boca cheia que quero trabalhar para ter independência e estabilidade financeira para poder viver da maneira como achar que devo sem ter que dar satisfações a ninguém. Ainda que não queira levar a vida regada a excessos luxuosos que a mídia divulga e muitos desejam, quero trabalhar para ter minha grana e não julgo isso como errado e desprezível. O problema reside justamente em construir sua vida encima disso e é essa a minha crítica. Trabalhar única e exclusivamente com a ambição de enriquecer e alçar o status de burguês de respeito. A meu ver, a vida vai muito além disso. Ser burguês não é defeito, o defeito é achar que só se é respeitável quando se é um e por isso deve-se ralar até conquistar esse posto. Se bem que se pararmos para pensar, só se é verdadeiramente respeitado quando se tem grana, mas não quero abstrair mais. Em suma, vejo muita superficialidade nessa lógica e por isso não compactuo dela, ainda que tenha um milhão (e meio) de outras futilidades em minha mente. Trabalha-se para viver bem e nada mais. Viver bem para uns tem a ver com o modo como a sociedade os enxerga com admiração, para outros tem a ver com a tranquilidade de levar a vida com estabilidade financeira. Para outros, os dois. Não dá para julgar o propósito de ninguém (ainda que eu enxergue como superficial, não é uma verdade absoluta, trata-se de uma opinião relativa, minha), apenas me proponho a refletir como nos colocamos na situação robotizada já discorrida anteriormente. Quanto à visível libertinagem sexual da atualidade, a crítica não está nas pessoas explorarem a fundo suas sexualidades e vivenciarem fantasias das mais variadas formas. Enxergo isso como saudável e natural e inclusive, recomendável. A raiz de muitas neuroses humanas está na repressão sexual, mas esse já é outro assunto. Em relação ao posicionamento das mulheres nesse quadro, enxergo como afronta aos resquícios de machismo e sou a primeira a aplaudir de pé o fenômeno em questão. É de conhecimento geral que a mulherada conquistou um espaço significativo através do estudo e trabalho perante a sociedade, diversas pesquisas comprovam a relativa soberania no desempenho feminino nas faculdades e no mercado de trabalho. Dessa forma, economicamente independente e com completa autonomia sobre si mesma, a mulher contemporânea padrão samba na cara da sociedade e explora sua sexualidade a fundo, muitas vezes podendo ser estereotipada negativamente por homens mais tradicionais (para não dizer hipócritas, mas né?). Não estou dizendo que precisamos nos reafirmar como independentes e autônomas sobre nossos corpos através de um comportamento poligâmico e, por vezes, emocionalmente distante. Muito pelo contrário, lidar com um parceiro já é complicado, que dirá com muitos. Contudo, o que eu enxergo nessa conduta sexualmente permissiva e aberta é uma grande insatisfação existencial e tédio. As pessoas mais poligâmicas são geralmente as mais carentes e insatisfeitas emocionalmente. Pelas incontáveis conquistas visam obter, em síntese, afeto. E como julgar essa lógica? No fundo, TODOS nós, uns mais e outros menos, queremos amar e ser amados em retorno. Por mais que sejam construídas inúmeras defesas, inúmeras vezes muitíssimo bem argumentadas racionalmente, esta é a grande verdade por trás das máscaras que sustentamos frente à sociedade. Acredito que esse romantismo tenha se transformado em cinismo e desdém, logo, entregam-se todos (generalizando) à poligamia desenfreada como escapismo. Em suma, a fuga da monogamia padrão é vontade oculta de tê-la; o distanciamento emocional através do desapego é medo; a exploração da sexualidade em suas mais distintas formas é fuga da realidade frustrante (intimamente falando). Toda a putaria atual é fruto de um romantismo duramente silenciado.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A superação de uma fobia


Em meio a mais uma madrugada de estudos, um surpreendente encontro: A barata e eu. Aos que não tiveram conhecimento dessa perturbadora relação, um breve resumo: Este inseto do tamanho do meu pulso apareceu no sábado passado (19/11) no meu banheiro, provocando verdadeiro pavor em minha tão afeminada pessoa. Desesperada pela falta de alguém com colhões suficientes para perseguir tão maldito peste, subi na cadeira mais próxima e chorei, enquanto minha irmã assistia à cena dando sádicas gargalhadas. Sim, a situação chegou a esse nível patético. Após muitos xingamentos de minha parte, ela finalmente assumiu o posto de caçadora. No entanto, já era tarde: A infame criatura adentrou-se em meu armário, misturando-se nos meus inúmeros calçados. Desde então, nunca mais encontrei a barata gigantesca, apesar de ter feito uma verdadeira limpa no meu armário. Até hoje. Até agora. Realizando uma breve pausa em meus estudos, resolvi ir à cozinha colocar comida para o Fluke, meu cachorrinho amado. Quando, inesperadamente, quem se encontrava misturada na ração? Sim, a maldita. Imaginem o susto, a surpresa e, contraditoriamente, a satisfação que me acometeu. Como já está tarde da noite, não pude gritar nem espernear, portanto agi com racionalidade e fui procurar algo que servisse de veneno. Mas com a ansiedade e o temor de perdê-la de vista, mais uma vez. Fui rápida e o destino conspirou ao meu favor: Havia um veneno eficaz contra baratas ao meu alcance! A imbecil criatura sequer havia mudado de lugar, o ataque era oportuno e as minhas chances de matá-la eram enormes. Aliás, a possibilidade de ela fugir mais uma vez era nula. Foi então que, com bravura inquestionável, dirigi-me a ela e consegui afogá-la numa verdadeira poça de veneno. Antes que ela pudesse escapar, peguei uma vassoura e espanquei ela, tal como a implacável cena tarantinesca do Jew Bear, em Bastardos Inglórios. Enfim, chegou ao fim a rivalidade entre a ex-fresca e a Dona baratona. A vitória é minha. Que venham os próximos. Ou não.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A burrice masculina na conquista



Talvez possa parecer extremamente generalizador afirmar isso, por isso eu posso perder credibilidade ao fazê-lo, mas os homens são verdadeiros acéfalos no que concerne à conquista das mulheres. Caso estas sejam dotadas de amor próprio, é claro, pois as que não se valorizam o suficiente para impor respeito frente aos demais, apaixonam-se por aqueles que, explícita ou implicitamente as maltratam, como que num círculo vicioso de masoquismo emocional. A meu ver, a questão do amor próprio é relativa: Há momentos nas nossas vidas em que nos sentimos a última bolacha do pacote, enquanto em outros inserimo-nos numa crise existencial de auto-piedade triste. E é justamente nestes momentos que ficamos suscetíveis a nos apaixonar por babacas. A carência somada ao déficit de auto estima constituem o pior inimigo dos seres humanos, sobremaneira das mulheres.

No entanto, o que quero discorrer aqui é sobre a tamanha burrice masculina na arte da conquista de mulheres "bem resolvidas". Digo burrice, pois há uma simplicidade tão avassaladora em conquistá-las com dignidade que soa patética a não percepção dos homens disso. Para obter sucesso com uma mulher, seja no processo de conquista ou reconquista, basta que faça ela se sentir única, exclusiva, especial, indispensável e todos esses clichês e deixe de lado seu orgulho de macho. No entanto, isso deve ser sincero, caso contrário você não passará de um charlatão barato que conseguirá a atenção amorosa dela por tempo limitado. Obviamente, se ela racionalizar tudo e não se entregar de corpo e alma na relação, pois, uma vez apaixonada, fudeu tudo. A paixão nos imbeciliza de uma forma tal que somos alvos fáceis de pessoas mal intencionadas e aproveitadoras.

Mas o que quero reiterar é o seguinte: O grande problema está no orgulho de macho. Muitas vezes, a fim de mantê-lo intacto, os homens deixam as mulheres que amam/são apaixonados/se interessam partirem sem lutar por elas verdadeiramente. Desistem delas, ironicamente, pela falta de culhões. O orgulho de macho nada mais é do que a importância do julgamento da sociedade predominantemente machista. Com a finalidade de obterem a aprovação dos demais, abrem mão da mulher que se afeiçoam. Talvez por se tratarem de mulheres complicadas e de difícil temperamento, sentem-se na obrigação de não se subjugarem a elas. Ou pelo fato de serem má afamadas. Nota-se aí forte influência da mentalidade machista no comportamento dos homens... Aderindo a tal mentalidade, sabotam-se. Im-be-cis.

Portanto, como se já não bastasse à falta de tato na conquista, são igualmente imbecis na arte da reconquista. Não são todos, mas a grande maioria. Existem as exceções, óbvio, mas a regra é essa. Quantas mulheres terão que deixar passar até que aprendam isso?!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A ditadura do amor


Ultimamente tenho pensado e repensado inúmeras questões, mas uma em particular tem tomado conta dos meus neurônios: O amor. Não é a primeira vez que venho escrever sobre ele, tampouco é a primeira vez que me pego pensando nesse emaranhado de sentimentos que é o amor, a meu ver.

Ele é capaz de mover montanhas, mas ao contrário do que a lenda popular prega, não é eterno. Acredito que possa, sim, ser reciclado continuamente mediante esforço e paciência, porém, não acho que por si só ele se sustenta. Não existe por existir, sobrevive. As chances de desaparecer em um determinado relacionamento são incontáveis, por isso é necessário cultivá-lo.

Ao contrário da paixão, que é de uma intensidade fugaz, o amor teoricamente seria estável e duradouro... No entanto, todos sabem que na prática ele não é assim. Com ele surge uma grande quantidade de elementos que podem jogar qualquer estabilidade no vento. A preocupação, o senso de proteção, os ciúmes, o ódio (e não há qualquer incoerência em afirmar que ele está presente no amor, pois o contrário ao nobre sentimento em questão é a indiferença, vulgo, ausência de quaisquer sentimentos), medo de perder, etc.

Portanto, ouso afirmar que o amor consiste no mais complexo dos sentimentos, justamente pelo fato de trazer em seu âmago a maioria, senão todos eles. A indústria cinematográfica, a literatura e outros canais midiáticos são responsáveis pela romantização do mais realista de todos os sentimentos, o que, por conseguinte, traz inúmeras frustrações nas vidas de nós, meros mortais famintos por amor.

Ao nos depararmos com ele, ficamos assustados por ele não oferecer a simplicidade que supostamente estaria implícita na sua essência, segundo o que eu chamo de “a ditadura do amor”. Esta é a responsável pelas diversas pessoas frustradas sentimentalmente no mundo! La dittatura sanguinaria di amore!

Inconscientemente, criamos a falsa expectativa de que com a manifestação do amor em um relacionamento, seja ele amistoso, amoroso ou familiar, tudo será mais simples. Como se ele fosse a resposta de todos os problemas! Como se pelo fato de ele existir tudo de uma maneira inexplicável estaria parcialmente resolvido. Ao nascermos somos bombardeados com lições de moral, como: “Vocês devem conquistar o amor de alguém, constituir uma família, tornarem-se ricos e bem sucedidos, o resto é resto!”.

O que me incomoda é essa estúpida finalização...”O resto é resto?”Mas é justamente o “resto” que se trata a nossa vida. Enquanto todos esses estigmas do que seria uma vida com qualidade são impostos, colocando-nos na corrida para alcançá-los e conquistar a vida em seu mais alto grau de satisfação, o que sobra? O resto. Até ficar rica, bem casada, bem comida, bem amada e bem sucedida eu estarei fazendo outras coisas, que não necessariamente são desprezíveis só por não se enquadrarem no rótulo imposto socialmente (pelo sistema econômico, pela moral e pela religião, não necessariamente nessa ordem) do que seria aceitável e recomendável.

O amor acaba perdendo sua real essência, pois mistura-se com idealizações criadas por outrém...A vida acaba tornando-se uma fórmula matemática, exata e simples:
Amor + dinheiro = Vida feliz.

Conquistar o amor de alguém já é complicado por si só, uma vez que envolve as questões da reciprocidade e da saúde mental dos envolvidos, pois para ser duradouro o amor implica a reciprocidade do sentimento nos envolvidos e a presença ou ausência de sanidade mental em ambos. Como se o amor fosse uma trilha e as pessoas que se disponibilizam a caminhar por ela devem estar igualmente preparadas para tal. Fazendo uma analogia: Se for uma trilha emburacada (pessoas com neuroses e traumas, por exemplo), quem se disponibilizar a caminhar deve adentrar-se nela em um bom e resistente jipe, para que suporte as dificuldades do trajeto.

Mas a ideia vendida predominantemente nas mais diversas mídias pressupõe que o amor é calmo, eterno e isento de defeitos, passando a tornar-se objeto de cobiça de todos os expectadores. Idealização filha de uma égua velha! O amor está LONGE de ser calmo, eterno e perfeito...Ele é turbulento, sim, mas é aí que se encontra a sua beleza.

Nas complicações que precisamos e devemos passar para manter sua chama acesa, aquecendo a alma e dando suporte nos momentos difíceis. Ele traz dor de cabeça? Traz, e não é pouca, não. Mas quem disse que por isso ele é menos maravilhoso? Temos que nos desapegar das idealizações que nos são impostas e enxergá-lo da maneira como ele se manifesta na realidade: Sendo difícil, certas vezes beirando ao insuportável, mas ainda assim mágico. Não mágico no sentido fantasioso e romantizado, mas no sentido de que inspira o mais belo que existe nas pessoas: O ALTRUÍSMO.

Quando amamos verdadeiramente, abrimos mão de coisas que possam colocar em risco o amor ou o bem estar da pessoa amada. Existe algo mais mágico do que isso? Vivendo em um mundo em que o egoísmo é o grande imperador dos sentimentos, qualquer raio de altruísmo pode ser considerado magia. E que linda magia!

sábado, 2 de abril de 2011


I want to reach people and express myself. You have to put up with the risk of being misunderstood if you are going to try to communicate. You have to put up with people projecting their own ideas, attitudes, misunderstanding you. But it’s worth being a public fool if that’s all you can be in order to communicate yourself.


Sedgwick, Edie.