sexta-feira, 5 de março de 2010

O mal de estar sozinho


Olá, caros leitores,

Após assistir um episódio de Sex and the City, em que o tema em questão era a solidão (no sentido de estar sozinho, não de se sentir sozinho), fiquei pensando a respeito do modo como as pessoas encaram a solteirice nos dias atuais. É possível encontrar inúmeras pessoas associando compromisso à felicidade, o que é considerado por mim um erro catastrófico.

Estar sozinho não implica em estar infeliz, da mesma forma como estar namorando não implica em estar feliz. Atualmente, a sociedade em geral, vê a solteirice de forma negativa, como se nós, descompromissados e descompromissadas do mundo afora, fôssemos aberrações. Em suma, gostaria de discutir a respeito desses mitos e, como de praxe, defender minha opinião a respeito.

Bom, de fato existem fobias das mais diversas possíveis. Uma das fobias que aterroriza o homem contemporâneo é a solidão. Todos cresceram aprendendo que a fórmula da felicidade consiste em encontrar o seu par perfeito e formar uma linda família. Ah, e ter (muito) dinheiro! Apesar de a idéia ser irresistível, eu não compro. A felicidade vai muito mais além disso, obviamente. Mas, voltando ao assunto em questão, o medo de estar só. Enfim, existem muitas pessoas passando por isso, de modo que preferem viver ilusões amorosas a viver com sua própria companhia.

A simples idéia de estar sozinho ou de ser visto sozinho em público deixa milhões de cidadãos inseguros, refletindo sobre o por quê dessa realidade os assombrar. Isso não deveria acontecer! Desde quando estar solteiro é sinal de fracasso pessoal? A simples noção faz com que eu me sinta irritada. É claro que em certos casos pode ser verdade, mas não em todos.

Eu, Isadora, posso falar com toda certeza que conheço pessoas que vivem relacionamentos fajutos só porque não conseguem lidar com a idéia de estar sozinho. Namoram por namorar, casam por casar, ficam por ficar. Assim, questiono: Onde entra a realização pessoal? E a felicidade? Pois é, não há espaço para ambas... Porém, a princípio! O mais chocante é que as pessoas que falseiam relacionamentos são felizes. Ou pelo menos aparentam ser. Vale salientar que tudo isso é baseado nas aparências.

Eu não posso deixar de perguntar: viver em uma mentira é compensatório? Domir com alguém que você não é apaixonado, não admira, é melhor do que dormir sozinho? A consciência de cada um sabe muito melhor do que eu, leiga em relacionamentos, as respostas para essas perguntas.



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Amor, I love you!


Olá, caros leitores e árduos críticos de porra nenhuma,

Venho por meio deste blog com o intuito de escrever sobre uma temática um tanto banalizada nos dias atuais, mas ainda assim almejada por seres humanos de todas as idades, cores e valores: o amor. Ah, o amor! É involuntário dar um suspiro ao pensar no tamanho do significado dessa simples palavrinha. Bom, pelo menos comigo é assim haha. Aos românticos e xexelentos de plantão, um aviso: esse texto que está sendo escrito não trará nenhuma idealização! Portanto, se espera ler coisas inspiradoras sobre o amor, dê o fora e compre um romance.

Em suma, gostaria de fazer uma pergunta simples, porém difícil de ser respondida: O que realmente é o amor? Caso você, leitor, seja extremamente curioso como eu, tente fazer uma pesquisa na Internet sobre o amor. Serão encontradas inúmeras definições possíveis, que vão de Shakespeare a anônimo/desconhecido, mas nenhuma delas é exata. São hipóteses, versões, viagens provindas do uso de substâncias ilícitas, ou apenas viagens de pessoas pensantes,...


Enfim, o que estou querendo dizer é que não existe uma explicação totalmente verdadeira sobre a definição de tal sentimento, uma vez que ele é vivido por inúmeras pessoas de inúmeras formas possíveis. Existe tanto tipo de amor, tal como o melancólico, o platônico, o obsessivo, o xexelento, o fraternal, o paternal, o maternal, o "de verão", e por aí vai... Assim, tentar achar uma única definição não passaria de uma generalização.

Bom, o fato é que cada pessoa tem um jeito único de amar, de modo que nele existem intrínsecas várias neuroses e inseguranças, o que quebra qualquer teoria defendendo a idéia de que o amor seja um sentimento perfeito. Se tem algum sentimento, se é que podemos chamar o amor de sentimento, que não seja perfeito é esse. Todos nós carregamos conosco nossos traumas, nossas crenças, nossos valores morais, nossos desejos, e sobretudo, nossas expectativas. Somando-se a isso a dificuldade de se relacionar com outrém, nota-se o quanto amar é complicado.

Quando amamos, preocupamo-nos, ficamos ansiosos, sentimos medo, saudade, raiva, tesão, admiração, repulsa, enfim, tudo possível, ao passo que o amor é a soma de todas as sensações existentes. Alguns costumam defender a idéia de que o oposto ao amor é o ódio, mas eu discordo. A indiferença, vulgo ausência de sentimentos, é que se opõe ao nobre sentimento em questão.
Tentando definir um pouquinho do que pode ser o amor: Amar é se importar, é fazer questão de estar junto, é fazer questão de saber como foi o dia, é surpreender, é ouvir, é aconselhar, é valorizar cada mínimo detalhe, é sorrir, é brigar e fazer as pazes, é ficar preocupado quando as coisas não estão dando certo e propor resoluções, é ter medo de perder, é torcer, é chorar por quaisquer razões, é abrir mão de inúmeras convicções e hábitos, é abstrair, é ter paciência, é se entregar de corpo e alma, é TUDO.
Mesmo que o amor não seja certo, sinta, grite, assuma. Por mais que a sensação de arrependimento venha depois, caso não houver a reciprocidade, amar só atrai coisas boas. A princípio, pelo menos. Ninguém disse que amar é algo romântico, perfeito, eterno. Não é isso que eu estou argumentando.

Na minha família, costuma-se dizer que quem ama cuida. Desde criança cresci ouvindo isso, logo, penso que quem ama faz, não diz. Conheço inúmeras pessoas extremamente teóricas, que adoram banalizar o tal do "eu te amo", que dizem por dizer, ou por qualquer outra razão que não faça juz ao que realmente é importante. A esses indivíduos digo apenas uma coisa: saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra completamente diferente. Por isso, o amor é uma grande responsabilidade.

Não obstante, como demonstrar o amor? Como diria Martha Medeiros, "A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também? " Hahahaha, concordo em gênero, número e grau.

Para finalizar esse textículo meia boca, colocarei uns trechos de um texto da Martha que eu sou completamente apaixonada. Aos que ficam, um beijo e um abraço. Ah, quero deixar uma dica: o medo é o maior inimigo do amor, portanto, carentes do mundo inteiro (uni-vos! hahaha NOT), abram seus corações de maneira realista e se entreguem. Nada de beber porque amar é difícil haha. Hasta la vista, babies.

"Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta. Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo."

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

"O Insensível" por Andrew Miller




- E gostamos de nós mesmos?
- Certamente.
- E se não gostarmos?
- Se não gostarmos de nós mesmos, monsieur, então estaremos perdidos, pois um homem que não gosta de si mesmo está repleto de dúvidas. Nós sobrevivemos e existimos porque somos verossímeis. Quando a equilibrista duvida ela cai. Quando o espadachim duvida ele morre. Devemos temer mais a duvida do que um estilete.




domingo, 7 de fevereiro de 2010

Fama X Anonimato


Olá, caros leitores e árduos críticos de p*** nenhuma,

Após muito tempo afastada daqui devido à falta de inspiração resolvi retornar hoje para escrever sobre algumas ambições sociais presentes em grande parte da população, e que, se forem levadas muito a sério, podem ter um final patético. Bom, o fato é que a Grande Mídia apresenta uma forte tendência a manipular seus expectadores, de um modo tão sutil e intenso que poucos são capazes de saírem ilesos do seu poder. Costumo defender o pensamento de que aqui no Brasil existem quatro poderes: Executivo, Judiciário, Legislativo e a Rede Globo.

A mídia, em todas suas facetas, atua com o claro objetivo de entrar nas nossas mentes. Aquela idéia de "Veja with lasers" pode ser aplicada aqui como um grande exemplo! No entanto, que fique claro, não são todos os setores assim, a exemplo do jornalismo engajado, ético e comprometido com a verdade. Enfim, vocês devem estar se perguntando: "Aonde essa garota quer chegar com toda essa introdução?", certo?

Em suma, desejo abordar sobre a idéia envolta de um conceito criado por quem? Pela mídia! A tal da fama, conhecem? A própria, capaz de deixar nós, meros seres mortais, morrendo de curiosidade. Caso contrário, o que seria de sites como EGO (http://www.ego.com.br/) e Just Jared (http://www.justjared.com/), que só existem para expor a vida de aclamados ou meramente inúteis artistas? Nadica de nada. Por que a demanda pela participação de programas como Big Brother Brasil é sempre enorme? Por quê? Bom, caros leitores, aqui está a minha resposta... Pela tão almejada fama.

As pessoas costumam apresentar uma necessidade tão grande de reconhecimento, de aceitação, que se dispõe a passar pelos mais humilhantes papelões. Todavia, não são só os reles normais que vivem esse dilema. Personalidades conhecidas, como a socialite acéfala Paris Hilton, chegam a aprofundar essa neurose de uma forma patética. Penso que a fama seja como um vício, uma vez lá famoso, você vai querer cada vez mais notoriedade, mais revistas estampando seu rosto, mais fã-clubes, mais, mais, mais! Ai, como é cansativo. Acredito que seja uma doença quase incurável: Egocentrismo exacerbado.

Obviamente, ser famoso não é só um inferno fútil. É possível conseguir inúmeras vantagens com a fama, mas não é por esse caminho que eu quero trilhar nesse texto. Nesse momento, quero trazer esses conceitos para minha realidade. Até onde as pessoas vão quando são famosas? E quando são anônimas?

Penso que os políticos lidam com isso a todo o momento. Por serem famosos, devem ser moralistas, além de deverem se portar como cidadãos exemplares, não poderem se envolver em escândalos sexuais, ou quaisquer tipos de escândalos. Mas será que isso acontece na realidade? NÃO. O sujo da mídia é que ela mostra só o que deve ser mostrado, o que ela quer que os expectadores acreditem que seja verdade. Aí entra a fama... Dependendo de como a mídia vende as personalidades (cantores, atores, políticos, socialites,...), elas são veneradas ou detestadas. Não existe meio termo. São os excessos que vendem revistas!

Entretanto, a fama não está restrita ao meio artístico. Nós, meros mortais sem fama aparente alguma, também estamos sujeitos a ser rotulados com estereótipos dados pelo meio social em que vivemos. Aqui em Uberlândia isso é facilmente perceptível. Qualquer vacilo é um flash! Se é que vocês me entendem, leitores.

A exemplo de minha não tão humilde pessoa... Assim que criei um blog comecei a ganhar o rótulo de pseudo-intelectual/alterna/socialista/feminista/etc. As pessoas que costumam frequentar o Goma, logo são associadas à tribo emo, aos homossexuais, aos alternativos e aos drogados. Sabe de onde vem a fama? Na maior parte das vezes, das pessoas que nunca foram lá. A imaginação cria realidades tão extremas que chega a assustar. Não estou dizendo que toda fama é mentirosa, mas o fato é que ela exagera bastante o que é de fato verdadeiro.

Portanto, acho válido comentar que não devemos ser levados a crer em tudo que é dito. Não é porque a massa acredita em algo que necessariamente será verdade. É preciso abstrair, refletir, pesquisar e aí sim formar uma opinião consistente. Ah, outra coisa que eu queria comentar era que vivemos em uma cidade moralista, materialista e machista. Se você fizer algo que contradiga esses três paradigmas que formam o tripé de sustentação da moral uberlandense, você está socialmente fudido. Será julgado, será xingado, será atacado, será destruído! A não ser que você escolha conviver com pessoas que fujam a essa patética regra e ligue o foda-se.

Eu, Isadora, sou a favor do respeito. Por mais que seja difícil manter a língua na boca (no sentido de falar mal de graça), é necessário que nos coloquemos no lugar de quem falamos mal, que controlemos o nosso forte instinto de julgar. Não somos melhores ou piores que ninguém! Todos somos únicos, diferentes e falíveis. Com mais respeito e aceitação, todos viveriam infinitamente melhor.

Um beijo, fui.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Lidando com as diferenças


Olá, queridos leitores e árduos críticos,


Venho por meio deste para escrever sobre um tema que é muito interessante, a meu ver, e está presente no cotidiano de todas as pessoas: trata-se do convívio com a diversidade. Cada indivíduo é único, apresentando características que o tornam quem ele é, obviamente. Alguns as deixam transparecer de modo mais explícito, enquanto outros optam por omiti-las. Não obstante, existem pessoas que se filiam a grupos/tribos por dois motivos: por compartilharem características em comum com os membros ou por desejarem isso, tendo, nesse último caso, um quadro mais grave, conhecido como ausência de personalidade (inventei esse conceito hehe).


Admiram o estilo de vida adotado por pessoas de certo grupo e se filiam a ele para tentar ser o que na verdade não são, mas almejam ser. Entende? Há um grupo enorme de pessoas que se importa com o que é bem visto socialmente (ou também mal visto), com a moda do momento (ou com a não-moda, a exemplo das "neo-contracultura"), passam a admirar e começam a agir de forma similar não por serem desse jeito, mas por desejarem ser. Tal evento é comum na adolescência, período marcado por mudanças e descobertas.


Contudo, é possível que se descubram como o que desejam ser. Por exemplo: eu começo a andar com um grupo de pessoas que gosta de ouvir música alternativa e frequenta um bar desse gênero. O que me levou a isso? Admiração. Mas o que me mantém a isso? Satisfação, pois consegui perceber que é essa a minha praia.


Viver em sociedade consiste em aceitar que as pessoas são diferentes. Pode parecer simples, banal, trivial ou até mesmo inútil ficar reiterando isso, mas é a mais pura verdade. Se todos soubéssemos lidar bem com a diferença, não haveriam tantas guerras, tantos moralismos, tanta babaquice. E a diferença não está somente no que é facilmente visível não (lugares frequentados, roupas, etc.), está nos modos de ver e encarar a vida, na forma de amar, no jeito de se comunicar... Está em tudo! Por causa da diversidade, existem debates, discussões e reflexões riquíssimas, que jamais seriam notadas se todos fôssemos iguais.


Em suma, acho válido defender que nós vivemos em uma sociedade tecnocrática, marcada pela velocidade da globalização, pela falta de tempo para o ócio, pelo culto aos bons salários. Assim, é possível notar mudanças nos dias atuais, como: as crianças "amadurecendo" rápido demais, portando celulares, msn's e afins, beijando, transando, quando deveriam estar brincando e curtindo uma das etapas mais deliciosas da vida: a infância. Chego a me assustar quando vejo minhas primas teclando no msn, falando no celular, com 8 anos!


Nos adolescentes a mudança mais visível é a vontade de virar adulto, acompanhado ao esforço de se parecer com um. É possível notar casais de namorados que mais se assemelham a "marido e mulher", jovens ingressando no mercado de trabalho cedo demais (não que eu seja totalmente contra) e o tal do conservadorismo. Os jovens que deveriam ser idealistas, politizados, unidos, liberais, são mais cafonas que os próprios pais! Isso me preocupa.


Existem coisas pontuadas nesse blog que são tão criticadas, tão censuradas, tão punidas socialmente e não por pessoas mais velhas (pois até os meus avós se interessam pelos meus textos), mas por jovens! Isso é inconcebível. Como diria o meu muso Ernesto Guevara: "Ser jovem e não ser idealista é uma contradição genética". A exemplo do meu mais polêmico comentário (essa cidade me surpreende negativamente em certos momentos):


"Sábado fui na Lounge, fiquei perto de pessoas inteligentes conversando sobre coisas engraçadas. Deparei-me com uma legião de playboys lá dentro, o que me deixou um pouco desconfortável. Não gosto de frequentar lugares superficiais, e, sábado, lá estava muito superficial! Fora isso, foi ótimo." Lembram-se? Pois bem, no dia seguinte muitos apareceram revoltados e me punindo por ter dito isso (nas minhas costas e na minha frente), interpretando de uma outra forma que não tinha nada a ver. Tenho certeza de que como escritora eu sou uma boa leitora, mas não tem polissemia no que disse. As pessoas tentam colocar malícia em tudo, infelizmente. Quem vê pensa que a leitura do meu blog é obrigatória, necessária para algum vestibular, imprescindível para a cultura brasileira dos leitores.


Penso que é a famosa carapuça que serviu, pois alguns frequentadores de lá (Lounge) logo se prontificaram de falar mal do meu blog no momento em que era possível. Sorte que, nesse aspecto, sou bem resolvida, não sofro por isso (acho até engraçado incomodar tanto). O incrível é que além de distorcer o que disse, começaram a se sentir ofendidos. Uma novela mexicana! Só para finalizar: não acho que lá seja superficial e cheio de playboys, estaria sendo hipócrita ao dizer isso, uma vez que fui lá três vezes. É uma ótima boite, para quem gosta. Como disse, um sábado fui lá e tinha playboys, PONTO. Entretanto, se a galera que vai lá se considera playboy, aí é rótulo que cabe a eles se dar ou não. Eu não gosto de julgar o que não conheço, colocando rótulos, portanto, essa é a primeira e última vez que toco nesse assunto.


No mais, gostaria que tivessem mais paciência com os erros e as opções de cada um, para que todos vivam melhor. Cada um é cada um! Um beijo, Isadora.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Brasil, mostre a sua cara!


Olá, caros leitores e críticos,

Venho hoje com o intuito de debater sobre um tema que me deixou pensativa e reflexiva hoje: a cultura brasileira. Enfim, desejo discutir a nossa identidade, o que faz de nós brasileiros, diferenciando-nos dos demais povos. Como é conhecido por todos, vivemos em um país miscigenado, marcado pela hibridização de diversas etnias e valores, que resultam em nós, povo brasileiro. Há quem enxergue essa mistura étnica de forma negativa, transferindo a culpa dos "fracassos" ou do "atraso" da nação a ela, do mesmo modo como existem pessoas que vêem na diversidade a riqueza de nosso país.

Historicamente, há aproximadamente quinhentos anos, os portugueses chegaram a nossas terras. A partir daí, com a invasão branca, somada à presença indígena e negra, deu-se início a formação do que pode ser observado atualmente. Surgiam caboclos, cafuzos, mulatos, mestiços, mais índios, mais negros e mais brancos. Com o encontro das diferentes etnias durante a formação do Brasil, nascia uma realidade cultural diversificada e atípica.

Vale salientar que nos séculos XIX e XX ocorreu a imigração de inúmeros europeus (com o pretexto de "branquear" o país - traço racista que pode ser observado até hoje), incluindo italianos, alemães, árabes e espanhóis, o que contribuiu intensamente para o processo "miscigenatório". Em suma, deve ser ressaltado que existem heranças de cada um desses povos, observadas na língua, culinária, religião, música, estética, valores sociais, etc.

Não obstante, apesar de fazer essa introdução histórica à formação do mosaico cultural observado no Brasil, vim escrever sobre um tema mais atual: os estereótipos dados aos brasileiros dentro e fora do país e da credibilidade existente ou ausente neles. Enfim, herdamos mais do que hábitos alimentares, rituais religiosos e afins de nossos "antepassados", como todos já sabem, como a aversão ao trabalho e o "espírito aventureiro" da cultura ibérica, por exemplo.

Há quem diga que os portugueses são naturalmente avessos às regras impostas pela sociedade, tendendo a transformar as relações impessoais em pessoais. Ademais, também costumam "hierarquizar" as relações, tornando as relações marcadas pela desigualdade. Seria essa a origem da famosa cordialidade política dos brasileiros, retratada por Sérgio Buarque de Holanda.

Somada a essa cordialidade, existe a preguiça dos índios, a alma festeira do negro, o espírito explosivo do italiano, entre outras características, que somadas formam a identidade brasileira. Em parte, podem ser consideradas estereótipos, mas, de fato, podem ser notadas em grande parte da população. Certo?

Portanto, o que é ser brasileiro? É jogar futebol bem? É sambar? É capoeira? É ter curvas, bunda e sangue quente? É ser corrupto? É deixar tudo o que pode ser feito hoje para amanhã? É ser receptivo com estrangeiros? É copiar e vangloriar os norte-americanos? É aceitar passivamente coisas absurdas? Não sei responder. O que acredito é que somos uma nação sem amor próprio, politicamente alienada e rica culturalmente.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Voltando às raízes


Olá, queridos leitores e árduos críticos,

Há tempos não escrevo nada aqui, pois estava atolada nos estudos, como muitos que conheço também estavam, mas finalmente toda essa temporada de esforço passou. As férias chegaram, o PAIES acabou e só consigo pensar em uma coisa: relaxar. A meu ver, não há nada mais relaxante do que escrever, assistir bons filmes e escutar música de qualidade. Pois bem, enquanto estiver por aqui, hei de atualizar este blog o máximo possível, com textos interessantes, espero.

O tema que pretendo abordar hoje é a família e a importância dela na vida dos jovens. Bom, muitos adolescentes costumam entrar em confronto com seus familiares, em função de apresentarem idéias antagônicas, sendo que, na maior parte das vezes, os pupilos apresentam um desejo de liberdade imenso, que tende a esfriar o relacionamento com os pais. Sentem-se presos às imposições e regras impostas pelos mais velhos, o que estimula o desejo pelo desconhecido (libertinagem, fuga às regras, fazer o "errado", moralmente incorreto).

Acredito, no entanto, que não são só esses os motivos que fazem com que a relação entre os pais e os filhos seja superficial, mas, mais pra frente, abordarei outros temas mais profundamente. Em suma, tenho uma teoria: o ser humano é como um pássaro: quanto mais enjaulado estiver, mais interessado estará pela liberdade apresentada fora da "gaiola". Portanto, pais do mundo inteiro, não façam com que os seus lares sejam semelhantes a uma gaiola (sufocante, cansativa e desanimadora). Sou a favor da comunicação em casa, que dê aos filhos confiança e força para enfrentar o mundo cruel que existe lá fora, não o contrário.

No meu caso, tenho uma mãe amável e dedicada, mas um pai ausente (entre outras coisas). Não estou aqui para expor a minha situação familiar, nem debater coisas íntimas, até porque acho ridículo, mas desejo tratar de um assunto sério. Tem uma frase do Oscar Wilde que me encanta, quando eu penso nessa situação que vivo: "No início, os filhos amam os pais. Depois de certo tempo, passam a julgá-los. Raramente ou quase nunca os perdoam."

Viver em sociedade exige de nós destreza para aprender a lidar com a diferença. Dentro de casa, isso também acontece, já que cada um tem características únicas, que podem levar a brigas e discussões. Não acredito em "família de propaganda de manteiga", que só sabe rir e amar. Isso é tão fictício quanto uma história de fadas e princesas. É normal brigar e detestar os familiares em certas ocasiões é totalmente aceitável. O que não pode acontecer é deixar que as brigas e os sentimentos negativos tomem um espaço predominante no lar.

Assim, devemos aceitar certas coisas que nossos pais desejam, por respeito, pelo fato de que eles nos amam, porque amar é ceder, e ceder é abrir mão do que queremos e achamos correto em algumas situações. Mas que fique bem claro: não é só porque eles são pais que eles sabem tudo. Muitíssimo pelo contrário! É preciso debater certas questões, defender o seu ponto de vista, quando está nítida a falta de maturidade dos pais em lidar com devidas questões. Aí está toda a beleza: o debate levando à compreensão.

Não obstante, sei que em muitos casos, os pais mais se assemelham a generais autoritários, que não querem ouvir nada, só sabem impor regras e mais regras. Nesses casos, o ideal é ter paciência, porque os gritos só servirão para piorar a situação. E, falo por experiência, esses tipos de pais são os que apresentam os filhos mais "imorais", se é que vocês me entendem. Não passam de adultos moralistas, hipócritas (porque, com toda certeza, aprontaram bastante, ou pelo menos quiseram aprontar), acostumados a reprimir seus desejos, por isso tentam reprimir os seus filhos. Posso estar sendo extremista, rude e desrespeitosa, mas é uma teoria. Bom, não deixa de ser uma hipótese, estando certa ou errada.

Em suma, desejo concluir que cada família tem uma moral. O mais importante, e que vale para todas as famílias, é que a casa deve ser um aconchego, não uma guerra. Conversem sobre sexo, drogas, dúvidas, opções, profissões, sem querer impor nada, que acredito que seus pais escutarão.

Um beijo e um abraço, Isadora C.